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quarta-feira, 16 de março de 2011

3 lições da "greve" dos camionistas

Agora que parece ter terminado o lockout das empresas de transporte rodoviário de mercadorias, ou empresas de camionagem, creio que podemos retirar alguma lições do que se passou:
  1. a mobilização e agressividade dos piquetes paralisadores foram muito menores do que da última vez;
  2. o impacto na opinião pública também foi menor. Já não era novidade, como da última vez. Nota-se também um sentimento do género "isto está tão mau para todos, porque devia ser diferente para eles?";
  3. o impacto nas "prateleiras" do retalho foi muito menor. Por um lado, a duração foi menor, por outro, as empresas responsáveis pela logística de distribuição já tinham preparado planos de contingência.

Na realidade, podíamos aprofundar esta discussão por outras vias:
  • a crescente concentração na distribuição alimentar (e noutros sectores importantes) retirou importância às pequenas empresas de transportes rodoviários. Foram só essas empresas que fizeram lockout, por isso o mesmo teve pouco impacto;
  • as pequenas empresas são as que realmente sofrem com a subida dos combustíveis, porque não têm poder de negociação que lhes permita reflectir o aumento do custo nos clientes. Por isso, precisam fazer estas chantagens sobre o cidadão e o contribuinte.
Ou seja, tudo reunido, este lockout (algo que a constituição portuguesa proíbe) parece ter tido menos impacto na vida dos portugueses do que o vulcão islandês de nome impronunciável.

Conhecem impactos mais profundos do que estes, provocados por esta "greve"?

PS: a esta hora ainda não consegui identificar quais foram as concessões do governo que levaram a um acordo, nem quanto vão custar aos bolsos do contribuinte.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Porque no te callas?

Porque é que o homem não se cala?
Debita bitaites sobre tudo, diz que vai ficar no poder até morrer, envolve-se nas guerras e guerrilhas de todo o mundo, e continua a ter um grande apoio popular, como se viu nas últimas eleições!

Qual o segredo?

Como diria a campanha do Bill Clinton, é a economia estúpido.


O mercado de capitais Venezuelano continua em subida acentuada, fazendo inveja às bolsas do resto do mundo.

É isso que permite ao Sr. Chávez dizer ao Obama e aos outros: Porque no te callas?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Quem ganha com a desregulamentação?

Só para deixar (ainda mais) claro porque é que alguns "gestores" ganham (?) as fortunas que recebem, este estudo nos EUA fala por si.

A desregulamentação (medida pela abolição de regulamentos, de limites às taxas de juro e da separação entre os negócios bancário e segurador) é a linha tracejada.

Os ganhos dos gestores estão representados na linha contínua.




Palavras para quê?


terça-feira, 27 de abril de 2010

não chega para todos

A questão é simples, o petróleo não está a acabar, o consumo de petróleo é que não pára de aumentar.

Aumenta a procura, aumenta o preço e, como diria o Obélix, a procura passa por cima da oferta e o céu cai-nos em cima da cabeça.

E de quem é a culpa?

O gráfico seguinte fornece uma resposta clara: dos chineses!


A evolução do preço do petróleo só não acompanhou rigorosamente a evolução das importações da China durante a última crise, mas já voltou ao mesmo ritmo.

A China cresce economicamente mais do que qualquer outra parte do mundo. Muitos milhões de chineses passam directamente do feudalismo para o século XXI e passam a consumir muito mais energia (automóvel, aquecimento em casa, ar condicionado,...).

Logo as importações da China vêm crescendo rapidamente e isso reflecte-se no preço do petróleo.

Tem de se reflectir porque, como começa a ser evidente, o petróleo não chega para todos...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O futuro é dos states

Esta extrapolação da evolução da população activa nalgumas das principais potências económicas do mundo, devia deixar muita gente a pensar.

Para começar, os dirigentes europeus, sobretudo aqueles que se opõem à imigração.

Em segundo, os americanos que se opõem à nova lei dos cuidados de saúde. Afinal se há alguém não vai ter problemas em ter quem pague as contribuições para a segurança social, são eles.


Tudo junto, esta projecção, diz-nos que a população activa vai descer até 2050 (e nalguns casos, vai descer violentamente: 25% na Europa, 44% no Japão) em toda a parte, excepto nos EUA.

Claro que também não deverá descer na América Latina, ou no Médio Oriente, mas esta projecção só quis comparar algumas das principais potências económicas (o Canadá, a Rússia e a Austrália também não aparecem).

Esta evolução é particularmente importante se pensarmos que só há duas formas de provocar crescimento económico: ou aumenta o número de pessoas a trabalhar, ou aumenta a produtividade daqueles que trabalham.

Se pensarmos que a economia que mais tem aumentado a produtividade é a única que vai ver a sua população activa aumentar...

Sugestões?
a) abrir as portas à emigração;
b) fazer mais filhos;
c) emigrar para os States.

Qual escolhem?

PS: sem querer questionar as fontes, não deixo de manifestar algumas dúvidas quanto à evolução prevista para a população activa da China,...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

E agora é a investigação. Tudo a Àsia levou.

Primeiro foi a mão de obra barata.

Os postos de trabalho que construíram a riqueza ocidental na segunda metade do século passado migraram todos para a Àsia (primeiro eram as Coreias, o Bangladesh, a Tailândia,... depois a Índia e a China).

Agora parece que o mesmo está a acontecer com a investigação, como se pode ver no seguinte gráfico:

CHART OF THE DAY: Asia Killed Us With Low-End Labor, And Now They're About To Finish The Job

Em cinco anos, a percentagem de investigadores a trabalhar na Àsia passou de 35 para 41%.

Se é verdade que isto assusta muita gente no ocidente (vem aí a invasão amarela...), a verdade é que outra coisa não seria de esperar.

Afinal não é na Àsia que vive praticamente metade da humanidade?

Quem acha que isto é uma ameaça?

Ou será uma oportunidade?

Digam de vossa justiça.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Os alvos da especulação

Alguém se lembra quando a Rússia, o Brasil e outros países foram obrigados a desvalorizar por causa da especulação à volta da sua moeda?
Muito dinheiro foi ganho por quem "vendeu curto" essas moedas (milhões e milhões de euros "investidos" nessa especulação) e comprou depois da desvalorização.

Hoje passa-se algo semelhante com a dívida pública dos países da UE e (parcialmente) da zona euro.

Só que enquanto a imprensa concentra os seus rumores, supostamente bem informados, nos países do sul (até cunharam um novo termo: PIIGS = Portugal, Italy, Ireland, Greece, and Spain), os "investidores" vêm colocando o seu dinheiro nos países de Leste, como se vê neste gráfico:

CHART OF THE DAY: See The Countries Short-Sellers Are Abusing

É verdade que Portugal está lá em cima, mas muito longe da Roménia, por exemplo.

A aposta destes "investidores" é que a dívida pública destes países vai valer muito menos, porque eles vão entrar em incumprimento.

Quem vai ganhar esta "corrida"? O sul ou o leste?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

How The US Government Payroll Replaced Goods-Producing Jobs

Afinal não é só em Portugal que a função pública cresce desmesuradamente, enquanto o emprego privado, "produtivo", se retrai.
Este gráfico mostra que o mesmo sucede nos USA:


CHART OF THE DAY: How The Government Payroll Replaced Goods-Producing Jobs

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Incubadoras, pré incubadoras, incubadoras virtuais

Incubar consiste em pegar nos ovos, dar-lhes calor num local abrigado e acolhedor e esperar que eclodam.
É isso que fazem as aves, depois de porem os ditos.
É isso que fazerm os criadores de aves (em Portugal, isso acontece especialmente com frangos e codornizes).

É isso que fazem as incubadoras de empresas. Acolhem os novos projectos, num ambiente acolhedor, até que a nova empresa esteja bem "eclodida" no mercado e, portanto, em condições de voarem "solo".

Para isso, cedem instalações a preços reduzidos, oferecem serviços de apoio e fomentam o networking da jovem empresa, para que esta possa desenvolver o seu potencial em segurança.

Três variações devem ser consideradas:
1) as pré-incubadoras
Acolhem empreendedores que estão a desenvolver um projecto, até ao momento da criação da nova empresa, frequentemente pelo prazo máximo dum ano;
2) as incubadoras
Acolhem empresas acabadas de criar, durante um período de dois ou três anos, até que estas se "emancipem";
3) as incubadoras virtuais
Fornecem os mesmo serviços que as outras incubadoras, com particular ênfase no networking, mas não disponibilizam instalações.

Vem isto a propósito do meu "choque" quando constatei que a única incubadora a funcionar em Santarém (a DET) está fechada e em obras, tanto on como offline.
Não sei o motivo, mas não deixarei de indagar.