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terça-feira, 12 de julho de 2011

2 estratégias para conquistar um mercado

Como disputar um mercado que já é servido por boas empresas e conquistá-lo?É muito comum ouvir potenciais empreendedores (pessoas com vontade de criar o seu próprio negócio) ou os meus alunos de empreendedorismo dizer qualquer coisa do género "eu gostava era de fazer X, mas já existe... a empresa Y já faz...".
Cito muitas vezes o exemplo da Zynga para demonstrar que é possível entrar num mercado aparentemente "tomado" e conquistá-lo. Mas como?
Aconselho sempre que se aplique a abordagem estratégica do livro Estratégia Oceano Azul (leitura que recomendo).
Resumindo, começa-se por desenhar a curva de valor oferecida pelas empresas incumbentes, ou seja, faz-se uma lista dos factores em que essas empresas apostam para oferecer valor aos seus clientes. Nas indústria em maturidade, é habitual as empresas incumbentes concentrarem-se em meia dúzia de factores (sabor, peso, design, preço, ...).

A partir desta análise, podemos desenhar dois tipos de estratégias:
  1. diferenciação;
  2. redefinição do mercado-alvo.
Na primeira, vamos oferecer aos mesmos clientes uma combinação de valor diferente do disponível nas empresas incumbentes.
Da mesma forma que a Voodoo Donuts entrou num mercado extremamente saturado, não tentando ser 1% mais saboroso, ou 2% mais barato que as marcas dominantes, antes oferecendo produtos diferentes.

Na segunda, vamos reconfigurar o nosso produto, acrescentando-lhe componentes, para agradar a outros clientes.
Da mesma forma que o Cirque du Soleil pegou no espectáculo do circo, que visava essencialmente o público infantil, e direccionou para a família inteira, com novos componentes, como a dança e os enredos de cada espectáculo.

Qualquer das duas pode comprovadamente servir para "roubar" um mercado que aparentemente tinha dono.
Foi acrescentando o componente "moda" que a Swatch "roubou" o mercado dos relógios aos Japoneses, enquanto estes se entretinham a produzir "o melhor" e "o mais barato".
Foi mudando a combinação de valor (menos valor, a um preço mais baixo) que a Easyjet e a Ryanair têm vindo a "roubar" uma boa parte do mercado das transportadoras de bandeira e a atrair novos clientes.

E você, já está a pensar em que mercado pode "roubar" os clientes às marcas dominantes?

segunda-feira, 11 de julho de 2011

4 estratégias para grandes invenções

Em posts anteriores já apresentei aqui a matriz de desenvolvimento de oportunidades de negócio (abaixo) e discuti três dos seus quadrantes, a disputa de mercado e as duas formas de inovação.
Falta falar da invenção.
Como desenvolver novos produtos para vender a clientes que nada compram nesse mercado?
Como criar novos negócios, que não existam em mais parte nenhuma, para clientes que nem sabem que vão precisar deles?
Difícil, muito difícil. Mas não impossível. Que o digam a Google ou o Facebook. A Apple com o iPod, ou a Ford com o modelo T.
Podemos sistematizar 4 grandes alternativas:
  1. recombinar tecnologias
  2. segmentar
  3. transferir tecnologia
  4. reorganização mercado
O iPode representa um grande exemplo de recombinação de tecnologias previamente existentes. O que é que o primeiro iPod tinha de realmente novo? O disco rígido? O ecrán LCD? O software mp3? Os auriculares?
Nada disso era novo. Tudo existia. Foi tudo recombinado num novo produto, que satisfazia uma necessidade conhecida, melhor que os existentes (walkman, diskman,...).

Desenvolver uma oferta nova para um segmento por nós inventado, como faz a Zipcar, nos EUA, é uma forma de "inventar". O serviço da Zipcar oferece carros de aluguer aos habitantes das grandes cidades. Aluga-os à hora, com tudo incluído (até a gasolina) e oferece carros "divertidos" (descapotáveis, minis, ...). Ou seja, identificaram um novo segmento (habitantes de grandes cidades, que não têm carro) e desenvolveram um produto novo (baseado nos produtos existentes, tipo Avis, mas bem diferente) para esse grupo de pessoas.

Pegar na tecnologia desenvolvida pelos soviéticos para manter a saúde dos astronautas e oferecer um produto (placas vibratórias) para as pessoas manterem a forma física em sua casa (ou no ginásio), é um exemplo de transferência de tecnologia. Muito frequentemente, aqueles que desenvolvem novas tecnologias (os cientistas?!) estão longe, muito longe, de ter capacidade ou jeito para as comercializarem.

Finalmente, outra forma de invenção, já apontada por Schumpeter nos anos 30 do século passado, é a reorganização dum mercado. Assim ao jeito do que SONAE e Jerónimo Martins fizeram à distribuição alimentar em Portugal.

Agora que já sabe como "inventar", sente-se mais capaz de criar um novo negócio?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tecnologia e Tecnológicas

Procurar ideias de negócio leva muitas vezes as pessoas a olhar para as indústrias tecnológicas, porque é aí que surgem as grandes novidades...

E, no entanto, o sucesso está em resolver problemas às pessoas... seja em que indústria for.

Veja-se este exemplo: Greenroad.

Uma startup que quer lançar produtos na... estrada!

Isso mesmo, na estrada. O primeiro produto lançado visa "obrigar" os condutores de pesados a respeitarem sempre as regras de condução. Tão simples como isso: luz verde, luz amarela, luz vermelha.

Pormenor: a empresa de transportes cujos condutores mantêm a luz sempre verde, pode poupar até €200 por veículo por ano em combustível, e talvez mais que isso por evitar acidentes...

No fundo, esta startup dirige-se a um mercado enorme: a estrada é uma das principais causas de morte em todo o mundo e um dos principais sorvedoros de energia.

Outro pormenor, caso esteja a pensar que isto não tem pernas para andar: o israelita que criou esta startup já angariou capitais de risco de duas empresas ligadas a pessoas famosas. $40 milhões duma empresa do Richard Branson e $10 milhões duma empresa do Al Gore.

Aplicar tecnologias já existentes (GPS, Google maps,...) aos problemas das pessoas. Esta é ainda a melhor forma de criar negócios de sucesso. Sem reinventar a pólvora. Nem a roda.


Informação adicional: Techcrunch

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Concursos de ideias

Li ontem um artigo interessante no blog TechCrunch sobre os inúmeros concursos de ideias que se tornaram habituais desde que o empreendedorismo entrou na agenda de políticos, universidades, associação empresariais, capitais de risco,...: Winner’s Curse: Why Losing A B-School Biz Plan Competition Is Better Than Winning.


Para além duma breve história da origem destes concursos, este autor, professor na prestigiada Duke University, desenvolve o talvez estranho argumento de que os mesmos não servem para criar fantásticas startups.
Procura mesmo demonstrar que isso nunca aconteceu, ou seja, nenhum destes concursos terá alguma vez dado origem a uma nova empresa de grande impacto!

No entanto, defende que os concursos de empreendedorismo são duma grande utilidade na formação dos estudantes universitários, por tudo aquilo que aprendem sobre as dificuldades de criar uma startup.

A minha própria investigação mostrou que os concursos realizados em Portugal ajudam os concorrentes a melhorar as suas capacidades para identificar oportunidades e criar novas empresas.

Parece ser portanto uma moda a que vale a pena dar continuidade.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Seleccionar Segmentos Alvo / Procurar Ideias de Negócio



A procura de segmentos de mercado para o lançamento de novos produtos, novas empresas ou reposicionamento de produtos existentes é uma velha batalha daqueles que trabalham em marketing.
É importante para as empresas existentes serem capazes de identificar segmentos de mercado (isto é, grupos de pessoas) que não estejam a ser muito bem servidos, porque aí podem lançar novos produtos/serviços, novas versões dos produtos já existentes ou reposicionar alguns destes para tentar agradar a esses grupos de pessoas.
É também importante para os empreendedores porque aí podem oferecer os produtos/serviços das novas empresas que criem para o efeito.
Sendo certo que todos querem identificar esses segmentos "mal-servidos", a questão que se coloca é como o conseguir.
A metodologia tradicional, que consta de toda a literatura clássica na área do marketing, foi desenvolvida pelas empresas de consultoria (sobretudo americanas) nos anos 60/70 e diz-nos para fazer sucessivas análises ao meio ambiente (análise PEST) e à própria empresa (análise SWOT), para usar sucessivas variáveis (demográficas, geográficas, psicográficas,...) na identificação de possíveis segmentos de mercado e, finalmente, para aplicar análises à atractividade de cada segmento e à concorrência que se enfrenta em cada um para, no final de tudo isto, seleccionar quais são os segmentos em que vamos competir.
Uff...
Muito trabalho (como convém às empresas que querem vender consultoria) e que mundo mais arrumadinho e compartimentado. Dá muito jeito que o mundo seja assim, para aplicarmos estas análises todas, uma de cada vez...

Isto pode ser feito de outra forma. Se calhar, tem de ser feito de outra forma, por todos aqueles que não têm o tempo e os recursos necessários para todas análises bem delimitadas...

A minha proposta é esta: vamos procurar mudanças no mercado, isto é, nas pessoas.
Primeiro ponto, temos de reconhecer que as mudanças nas pessoas processam-se a (pelo menos) três níveis:
a) longo prazo;
b) sazonal;
c) dia-a-dia.

As primeiras incluem as migrações, que levam a população a concentrar-se no litoral e nas cidades, ou o crescimento nos níveis de instrução da população, ou ainda, o aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população.
As segundas têm a ver, essencialmente, com as modas e o clima. Em todos os verões, aumenta a procura de protectores solares. No inverno baixa. São mudanças fáceis de antecipar.
As terceiras passam pela necessidade de variedade e de novidades que toda a gente sente.

Dito isto, o segundo ponto é que nos interessa identificar três tipos de mudança:
1) as mudanças em curso;
2) as mudanças que podemos prever;
3) as mudanças que podemos provocar.

As primeiras estão a afectar o mercado de alguma forma. Interessa identificar que forma. As migrações estão em curso, tal como o envelhecimento da população. Abrem novos mercados, provocam a retracção de outros.
As segundas são oportunidades ou ameaças. Devemos dirigir a nossa estratégia para elas. Se podemos prever que a procura de cuidados à terceira idade vai crescer numa certa região, podemos desenhar uma estratégia para aproveitar essa mudança.
As últimas são o verdadeiro objectivo, o santo graal do marketing e do empreendedorismo. Foi isso que a Apple conseguiu com o ipod: mudou o mercado do entretenimento. É isto que a introdução de novas tecnologias no mercado pode provocar: mudança.

Ao procurar estas mudanças, importa perceber o que as causa: a legislação, a demografia, a cultura? Ou é a busca de variedade que leva as pessoas a mudar de comportamento?

Sim, é verdade, no fundo, estamos a fazer as mesmas análises que na abordagem clássica. Claro! O Mundo é o mesmo.
A diferença é que arrumamos as ideias de outra forma... menos compartimentada... menos bem comportada...

O que interessa, de uma forma ou de outra, é identificar os tais segmentos "que podemos servir melhor". Seja para criar novas empresas, seja para dinamizar a empresa em que trabalhamos.

Depois,... depois é preciso agradar a esse segmento alvo.
Mas isso é outra história.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Qual o seu modelo de negócio?

Fase crucial no processo de desenvolvimento de novas ideias de negócio é o desenho do modelo de negócio da futura startup. Como é que a futura empresa vai ganhar dinheiro?
Esta é uma fase que se revela difícil para os menos experientes. Já têm uma ideia do que querem fazer, mas identificar os fluxos de bens e serviços e correspondentes fluxos financeiros envolvidos nessa ideia de negócio torna-se muitas vezes difícil, mais ainda numa altura em que muitos concorrentes entram no mercado com modelos de negócio que envolvem "oferecer" algo gratuito ao mercado, para captar clientes e depois facturar com outros serviços ou bens que vendem a esses clientes.

Já me aconteceu acompanhar grupos de alunos, que trabalhavam numa ideia de negócio cujo modelo inicial se baseava em receitas de aluguer de activos, para mais tarde chegarem à conclusão que o verdadeiro potencial daquele negócio estava nas receitas de publicidade.

Este exemplo ilustra a importância duma boa análise do modelo de negócio da futura startup para o seu sucesso.
No entanto, o modelo de negócio desenhado nesta fase estará também na base do plano de investimento e do plano de financiamento da startup.

Em poucas palavras, pode-se aconselhar o empreendedor a identificar todas as possíveis fontes de receitas da actividade em que está a pensar investir. Vai abrir uma discoteca? Então, se calhar, vai cobrar entradas, vai vender bebidas no bar, é até capaz de vender alguma publicidade no interior...

A partir daqui, pode identificar os custos que terá de suportar para desenvolver estes serviços e assim completar o modelo de negócio. Fazê-lo envolve normalmente realizar escolhas estratégicas sobre o funcionamento do futuro negócio, não só do lado das receitas (que serviços cobrar, quais oferecer, se alguns, que níveis de qualidade oferecer,...), como do lado dos custos.

Para concretizar este modelo de negócios, será necessário realizar determinados investimentos, o que vai permitir que o empreendedor faça, de seguida, o seu plano de investimento e de financiamento.

Fazer um mapa de fluxos é uma técnica útil nesta fase mas, se não a dominar, a tradicional folha de cálculo, ou até a folha de papel e o lápis também podem servir.
Mãos à obra!