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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

2 prendas de Natal, seguindo Bono Vox

"Não sei se alguma vez vos disse isto, mas um livro é o melhor presente que uma pessoa pode dar a outra." Bono Vox

Agora que vem aí o Natal:

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Tintin dos modelos de negócio

Este parece um livro de banda desenhada.
Não é!
É um livro de gestão, muito interessante e bem concebido.
É também muito original. Talvez demais!
Criar Modelos de Negócio Alexander Osterwalder, Yves Pigneur
Dom Quixote
ISBN 9789722044974
Nº Páginas 288


Os autores propõem uma estrutura gráfica para analisar o modelo de negócios duma empresa e assim poder mais facilmente pensar em formas de inovar nesse aspecto.
Graficamente, os autores propõem analisar 8 aspectos do modelo de negócios da sua empresa:
  • os segmentos de clientes (alvo);
  • a proposta de valor da empresa;
  • as relações com os clientes;
  • os canais;
  • os parceiros-chave;
  • as actividades-chave;
  • os recursos-chave;
  • a estrutura de custos;
  • os fluxos de rendimento.
Analisando estes elementos (uns têm mais a ver com a produção de valor e, portanto, eficácia, outros com a eficiência), podem-se tentar combinações inovadoras, para bater a concorrência.
Podem ainda definir-se alguns padrões, quando se analisam as empresas inovadoras:
1 - Desagregar negócios: negócios de relações com clientes, negócios de inovação de produtos, negócios de infra-estruturas (banca privada, telecomunicações móveis,...)
2 - Negócios de cauda longa (Lego, Youtube,...)
3 - Plataformas multilaterais (eBay, Visa, Google,...)
4 - Free (Metro, Skype,...) e Freemium;
5 - Modelos de negócio abertos (P&G, Glaxo,...);

Por tudo isto, e por parecer um livro de banda desenhada, esta é uma leitura recomendada para quem se interessa por empreendedorismo.
Deixe aqui as suas impressões sobre o livro.
Livro sobre empreendedorismo: http://www.facebook.com/Empreendedorismo
Livro sobre Distribuição: http://www.facebook.com/Comercio.Distribuicao
Site pessoal: www.fernando-gaspar.com

terça-feira, 1 de novembro de 2011

o segredo da autenticidade

A ideia principal deste livro é interessante: hoje em dia, às marcas não basta ter qualidade, não basta ser melhor que os outros, é preciso ser autêntico. The real thing.

AutorJames H. Gilmore e B. Joseph Pine II
EditoraActual Editora
ColecçãoHarvard
ISBN9789898101877
Nº Páginas416



O cliente começou por comprar o que estava disponível, depois passou a comprar o menor custo, a seguir entrou na era da qualidade e agora quer o que é autêntico.
Chegámos a um estado em que é possível qualificar, alterar e comercializar a realidade, como é exemplificado pelos programa de reality TV.
Assim, o livro propõe 3 axiomas da autenticidade:
1 - Se você é autêntico, então não precisa de dizer que é autêntico;
2 - Se você diz que é autêntico, então é melhor ser mesmo autêntico;
3 - É mais fácil ser autêntico se você não disser que é autêntico.

O problema de fundo é que o cliente quer as suas necessidades satisfeitas. Isto pode ser feito com matérias primas, produtos, serviços, experiências ou transformações.

As matérias primas podem ser mais autênticas se a empresa enfatizar a sua materialidade e procurar uma certa rusticidade. alimentos biológicos
Os produtos podem ser mais autênticos se parecerem antigos, restaurando o passado: chouriços "tradicionais".
Os serviços tornam-se mais autênticos se o prestador for franco e directo, se se concentrar na singularidade do cliente e se lhe dedicar tempo: médicos.
As experiências precisam evocar um tempo, ou um lugar e precisam de ser importantes e realistas para serem autênticas: jogos de vídeo como call of duty.
Finalmente, as transformações autênticas são as que se dirijem às aspirações dos clientes e adoptam a arte ou uma causa: Cirque du Soleil.

O que interessa realmente, para o sucesso duma marca, é a percepção de autenticidade. É o cliente quem determina o que é ou não autêntico.

O livro ainda fala da nova realidade do placemaking e da importância que já assume para muitas marcas: Legoland, Apple stores, ...
Curiosa ainda a forma como um livro sobre autenticidade aborda os fenómenos das falsificações e das imitações (são diferentes), no entanto, o ponto mais importante deste livro parece-me ser este:
Os verdadeiros proprietários das marcas são os clientes, não as empresas!
Concordam?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A grande vantagem do atendimento on e offline: os apóstolos

O atendimento ao público pode fazer a diferença entre a sobrevivência e a morte dum estabelecimento comercial, de qualquer tipo.
Para uma loja de betão e vidro (offline) o atendimento é determinante para o seu sucesso:
  • a disponibilidade e a afabilidade dos vendedores é a melhor arma para cativar clientes;
  • exige-se, no entanto, que saibam sempre qual a prioridade do momento: construir relacionamento com os clientes ou despachar filas;
  • provavelmente, nunca fui tão mal atendido numa loja como num McDonalds no Soho, em Nova Iorque, no último verão. No entanto, não havia a menor fila nas caixas,...
  • na maioria dos stands automóveis deste país (sobretudo neste tempo de crise), o atendimento é cinco estrelas, o cliente não se sente a ser "despachado" e os vendedores não se esquecem de ligar nos dias seguintes.
Já numa loja online, o atendimento assume outras formas:
  • o "carrinho de compras", ou sistema de compra pode ser um ajudante ou servir para exasperar e afastar os clientes (veja o bom exemplo da Amazon);
  • o mesmo se pode dizer do sistema de pagamento;
  • as entregas e o serviço ao cliente (rapidez e pertinência das respostas), incluindo as listas de perguntas frequentes completa o bom atendimento à distância.
Em ambos os casos, o atendimento é uma ocasião única para criar uma boa imagem da marca e desenvolver um relacionamento com o cliente. Pode ser um relacionamento breve e meio impessoal (nas lojas com muito movimento) ou um relacionamento mais profundo e pessoal, mas é fundamental para conseguir a satisfação do cliente e fazer com que este "espalhe a palavra" com publicidade "de boca em boca".
Para as lojas online estão disponíveis uma série de instrumentos que as podem ajudar a transformar os seus clientes em apóstolos (pedir para classificar o produto, pedir para fazer uma revisão escrita, deixar testemunho, ou mais simplesmente "gostar", divulgar pelos amigos,...)
A sua loja está preparada para criar os seus próprios apóstolos*?

* Pode encontrar mais informação sobre buzz marketing, ou sobre criar apóstolos para a sua loja, no livro www.facebok.com/Comercio.Distribuicao

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Montras On e Offline

O papel das montras no sucesso duma loja pode ser fundamental.
 
Pode contribuir para um factor decisivo no sucesso de muitas lojas: convencer o traseunte a entrar!
Como?
Tem de transmitir uma imagem que permita ao traseunte saber imediatamente porque razões há-de entrar naquela loja específica. Qual o tipo de produto, quais os benefícios desse produto,...
Para o efeito as boas montras utilizam diversos elementos para captar a atenção de quem passa e transmitir essa imagem:
  • a luz
  • a cor
  • o movimento
  • o produto chave
  • cartazes com preços
  • os símbolos da marca (ou marcas) mais importante(s).
Já numa loja virtual, a home page desempenha muitas vezes esse papel de "montra".
As pessoas vão parar à página inicial, vindas de diferentes origens, e graças a diferentes razões mas, para todas, é essencial para o sucesso da loja que não fiquem por aí, que naveguem pela loja e que comprem!


Para o conseguir, a página inicial deve incluir convites à acção, deve possibilitar um fácil acesso aos produtos,...
Torna-se, portanto, fundamental analisar o indicador bounce rate, para a página inicial da loja. Este indicador, fornecido pelo Google Analytics, consiste simplesmente na percentagem de visitantes que "foram embora", sem clicar em nada nessa página inicial.
Baixar o bounce rate da sua loja virtual pode fazer toda a diferença.
Sugestões para evitar que as pessoas vão embora sem nada fazer na sua loja?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Vencer segundo Vaynerchuk

Gary Vaynerchuk pegou no negócio da família (uma loja de vinhos) e aumentou a facturação de 4 para 50 milhões USD em 8 anos.
Fê-lo com recurso às redes sociais online, particularmente através dum videoblogue (Wine Library TV).
Com este cartão de visita, Gary descreve neste livro a sua visão sobre o papel das redes sociais na abertura de possiblidades para o empreendedorismo.
A principal recomendação do autor passa por construir uma marca pessoal online, na área da sua paixão. Depois de construir essa marca e uma comunidade, encontrará forma de fazer dinheiro com isso.
Para o conseguir é fundamental a autenticidade da marca que vai construir.
Product Details
A parte mais interessante do livro será provavelmente aquela que conta a história de vida do autor e dos pais, emigrantes da Bielorússia nos EUA.

No restante, o livro apresenta as estratégias mais adequadas para (em 2009):
  1. criar uma marca pessoal / uma reputação online;
  2. criar uma comunidade de pessoas interessadas / atrair uma audiência;
  3. ganhar dinheiro com esta marca e esta comunidade.
Interessante para quem se interessa por estratégias de marketing online, apesar das limitações derivadas da rapídissima evolução tecnológica nesta área.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Idiotas ricos

Robert Shemin é um idiota rico.
É o próprio quem o diz, no seu livro Como é que aquele idiota é rico e eu não?
Como é Que Aquele Idiota é Rico e eu Não?
Robert defende neste livro a ideia de que quem fica rico não são os mais inteligentes, mas os mais espertos. :)
E o que é isso de ser esperto? Como é que se chega a idiota rico?
Muito simples. Shemin define 3 regras básicas:
  1. Adquirir bons activos: imóveis, acções e negócios próprios;
  2. Contrair bons passivos: aqueles que servem para comprar activos que rendem mais do que os juros;
  3. Evitar as más dívidas: aqueles que só trazem custos (empréstimos para pagar férias, carros, cartões de crédito,...).
Não se fica rico a trabalhar mais, fica-se rico conseguindo activos que trabalhem por nós... onde é que já ouvi isto antes?
Esta simples receita, estruturada num tradicional formato de auto-ajuda, faz uma leitura leve para esta altura do ano: qual o meu principal activo? Eu! O segundo principal activo? O meu tempo! Brilhante!
Nunca teria terminado a leitura deste livro de auto-ajuda se o primeiro capítulo não incluísse uma frase cativante: "os livros de auto-ajuda não funcionam"!
Claro que é impossível pensar no mau timing do autor. Fez a sua fortuna e é conhecido nos EUA primordialmente por investir no imobiliário e publicou este livro em 2008, meses antes do grande crash imobiliário...
Depois de ler e descobrir como se mete uma girafa no frigorífico, deixe aqui um comentário e diga o que concluiu da solução. (idem para os restantes testes do idiota rico: como meter um elefante no frigorífico, qual o animal que vai faltar à conferência animal e como atravessar um rio infestado de crocodilos...)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

10 estratégias para a fortuna

O livro de Ken Fisher "O Mapa da Fortuna", parte dum princípio interessante: pega na lista das 400 pessoas mais ricas dos EUA, publicada pela revista Forbes em 2007, e analisa como esta gente toda ganhou o seu dinheiro.
Product Details
Ken Fisher fazia ele próprio parte dessa lista (271º), graças à firma de aconselhamento de investimentos que criou, a Fisher Investments.
Como resultado desta análise, Ken propõe-se resumir os caminhos (legais) para ganhar uma fortuna em 10 estratégias tipo:
  1. Criar o seu próprio negócio;
  2. Tornar-se CEO duma empresa existente;
  3. Ser o braço direito do CEO;
  4. Seguir uma carreira de desportista ou artista;
  5. Casar bem;
  6. Poupar e investir com sensatez;
  7. Tornar-se um advogado especializado em "sacar" indeminizações;
  8. Gerir o dinheiro dos outros;
  9. Inventar rendimento;
  10. Investir em imobiliário.
Ler a descrição que o autor faz de cada uma destas 10 estratégias pode ser educativo, mas não lhe recomendo que caia na asneira de comprar a versão portuguesa do livro.
A tradução é, pura e simplesmente, inaceitável. Parágrafos completos em que temos de tentar adivinhar o sentido daquilo. Os tradutores online teriam feito melhor.
Experimente a versão em inglês.
Leitura leve, própria para esta época do ano.
Depois deixe aqui um comentário com as suas impressões do livro.

terça-feira, 12 de julho de 2011

2 estratégias para conquistar um mercado

Como disputar um mercado que já é servido por boas empresas e conquistá-lo?É muito comum ouvir potenciais empreendedores (pessoas com vontade de criar o seu próprio negócio) ou os meus alunos de empreendedorismo dizer qualquer coisa do género "eu gostava era de fazer X, mas já existe... a empresa Y já faz...".
Cito muitas vezes o exemplo da Zynga para demonstrar que é possível entrar num mercado aparentemente "tomado" e conquistá-lo. Mas como?
Aconselho sempre que se aplique a abordagem estratégica do livro Estratégia Oceano Azul (leitura que recomendo).
Resumindo, começa-se por desenhar a curva de valor oferecida pelas empresas incumbentes, ou seja, faz-se uma lista dos factores em que essas empresas apostam para oferecer valor aos seus clientes. Nas indústria em maturidade, é habitual as empresas incumbentes concentrarem-se em meia dúzia de factores (sabor, peso, design, preço, ...).

A partir desta análise, podemos desenhar dois tipos de estratégias:
  1. diferenciação;
  2. redefinição do mercado-alvo.
Na primeira, vamos oferecer aos mesmos clientes uma combinação de valor diferente do disponível nas empresas incumbentes.
Da mesma forma que a Voodoo Donuts entrou num mercado extremamente saturado, não tentando ser 1% mais saboroso, ou 2% mais barato que as marcas dominantes, antes oferecendo produtos diferentes.

Na segunda, vamos reconfigurar o nosso produto, acrescentando-lhe componentes, para agradar a outros clientes.
Da mesma forma que o Cirque du Soleil pegou no espectáculo do circo, que visava essencialmente o público infantil, e direccionou para a família inteira, com novos componentes, como a dança e os enredos de cada espectáculo.

Qualquer das duas pode comprovadamente servir para "roubar" um mercado que aparentemente tinha dono.
Foi acrescentando o componente "moda" que a Swatch "roubou" o mercado dos relógios aos Japoneses, enquanto estes se entretinham a produzir "o melhor" e "o mais barato".
Foi mudando a combinação de valor (menos valor, a um preço mais baixo) que a Easyjet e a Ryanair têm vindo a "roubar" uma boa parte do mercado das transportadoras de bandeira e a atrair novos clientes.

E você, já está a pensar em que mercado pode "roubar" os clientes às marcas dominantes?

segunda-feira, 11 de julho de 2011

4 estratégias para grandes invenções

Em posts anteriores já apresentei aqui a matriz de desenvolvimento de oportunidades de negócio (abaixo) e discuti três dos seus quadrantes, a disputa de mercado e as duas formas de inovação.
Falta falar da invenção.
Como desenvolver novos produtos para vender a clientes que nada compram nesse mercado?
Como criar novos negócios, que não existam em mais parte nenhuma, para clientes que nem sabem que vão precisar deles?
Difícil, muito difícil. Mas não impossível. Que o digam a Google ou o Facebook. A Apple com o iPod, ou a Ford com o modelo T.
Podemos sistematizar 4 grandes alternativas:
  1. recombinar tecnologias
  2. segmentar
  3. transferir tecnologia
  4. reorganização mercado
O iPode representa um grande exemplo de recombinação de tecnologias previamente existentes. O que é que o primeiro iPod tinha de realmente novo? O disco rígido? O ecrán LCD? O software mp3? Os auriculares?
Nada disso era novo. Tudo existia. Foi tudo recombinado num novo produto, que satisfazia uma necessidade conhecida, melhor que os existentes (walkman, diskman,...).

Desenvolver uma oferta nova para um segmento por nós inventado, como faz a Zipcar, nos EUA, é uma forma de "inventar". O serviço da Zipcar oferece carros de aluguer aos habitantes das grandes cidades. Aluga-os à hora, com tudo incluído (até a gasolina) e oferece carros "divertidos" (descapotáveis, minis, ...). Ou seja, identificaram um novo segmento (habitantes de grandes cidades, que não têm carro) e desenvolveram um produto novo (baseado nos produtos existentes, tipo Avis, mas bem diferente) para esse grupo de pessoas.

Pegar na tecnologia desenvolvida pelos soviéticos para manter a saúde dos astronautas e oferecer um produto (placas vibratórias) para as pessoas manterem a forma física em sua casa (ou no ginásio), é um exemplo de transferência de tecnologia. Muito frequentemente, aqueles que desenvolvem novas tecnologias (os cientistas?!) estão longe, muito longe, de ter capacidade ou jeito para as comercializarem.

Finalmente, outra forma de invenção, já apontada por Schumpeter nos anos 30 do século passado, é a reorganização dum mercado. Assim ao jeito do que SONAE e Jerónimo Martins fizeram à distribuição alimentar em Portugal.

Agora que já sabe como "inventar", sente-se mais capaz de criar um novo negócio?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

6 mudanças da distribuição no Milénio

A Distribuição e o Comércio sofreram grandes mudanças por volta da altura em que virou o Milénio (últimos anos do 2º e primeiros anos do 3º).
Gosto de as sumariar na seguinte lista:
  1. Hipers
  2. Shoppings
  3. Cadeias de lojas
  4. Cash&Carry's
  5. Discount
  6. Lojas virtuais
Claro que isto é uma simplificação, mas podemos dizer que a cobertura do território por hipermercados (e modernos supermercados) e por centros comerciais mudou radicalmente a distribuição alimentar, o comércio de vestuário, electrodomésticos, mobiliário, livros, ... tudo.
Estes hipers e shoppings, que cresceram como cogumelos por todo o país trouxeram consigo o domínio das cadeias de lojas de marca, com uma gestão (mais ou menos) centralizada.
Assim, a loja de marca de roupa do shopping substituiu a boutique do centro da cidade, a FNAC ou Bertrand do Shopping substituiu a livraria na zona histórica da cidade ,etc, etc.

Por outro lado, no comércio por grosso, o modelo cash&carry dominou os antigos armazéns com os seus vendedores de porta em porta e passou a fornecer grande parte dos cafés, restaurantes e mercearias.
Assistimos também, crise após crise, à afirmação das lojas de formato discount. Nem todos os soft-discount correram bem (o LIDL é a excepção de grande sucesso), mas no formato hard-discount o sucesso daquilo a que chamamos a "loja do chinês" é total. Tem uma a cada duas esquinas...
Finalmente, a afirmação das lojas online, hoje em dia completamente indispensáveis em muitas áreas (do alimentar aos livros, aos electrodomésticos, ...), veio completar este conjunto de mudanças.

Estas mudanças não afectaram apenas o sítio onde fazemos compras. Mudaram aquilo que compramos (veja-se o crescimento das vendas de comida pré-processada), mudaram os hábitos de lazer e a forma de vida das pessoas, com particular importância para os centros comerciais e hipermercados.
 
Para além de revolucionar a vida das populações urbanas, estas mudanças também alteraram a forma como se pode ganhar dinheiro no comércio e as estratégias que têm mais hipóteses de sucesso.
O sucesso do franchising nestas décadas é um bom indicador de como foi um dos principais beneficiários destas mudanças.
Particularmente a abertura de centros comerciais e hipermercados por todo o país foi uma oportunidade dourada para o crescimento do franchising, enquanto modelo de negócio.

Quais são as outras estratégias de sucesso, no comércio dos nossos dias?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

5 formas de inovação

Criar uma empresa não implica inovar, como ficou patente num post anterior.
No entanto, nos casos em que isso acontece, também é verdade que existem diversas formas de inovar.
Já foi nos anos 30 do século passado que Schumpeter explicou que inovar pode significar:
  1. lançar novos produtos (aquilo a que geralmente se chama inovar);
  2. lançar produtos existentes, em mercados onde ainda não são vendidos;
  3. lançar produtos existentes, mas feitos com novas matérias-primas;
  4. lançar produtos existentes, mas feitos com novos métodos ou novas tecnologias;
  5. reorganizar a indústria.

Ou seja, lançar um produto novo, como o leitor de mp3 era na altura, é inovar.
Mas lançar um produto já existente, usando uma nova tecnologia, como o carro eléctrico, também é inovar.
Da mesma forma que lançar um produto igual aos existentes, mas com uma nova matéria-prima, como o sumo de fruta feito de pera rocha, continua a ser inovar.
Tal como, criar um produto igual aos existentes, mas num novo mercado, como abrir um restaurante de sopa da pedra, num centro comercial onde não se vende tal coisa, não deixa de ser inovar.
E que melhor exemplo de reorganização duma indústria do que aquilo que Sonae e Jerónimo Martins fizeram na distribuição alimentar em Portugal?

O importante, para quem anda à procura da "tal ideia de negócio", para criar a sua própria empresa, é perceber que inovar não é o mesmo que inventar. Ser inovador não obriga a inventar nada, muito menos a pólvora.
Inovar passa mais vezes por dar ao cliente novas opções para satisfazer as suas necessidades, utilizando as "pólvoras" que outros inventaram. Transferir tecnologia para o mercado!

Tal como dito no post anterior, podemos escolher varias formas de inovação: invenção, inovação de mercado ou inovação de produto.
Mas também podemos escolher a estratégia da Zynga e disputar o mercado com produtos idênticos aos da concorrência. Desde que sejamos melhores... Diz-se que agora vão copiar o jogo Sims. Será que batem a EA?

E você, o que inovou hoje?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

4 estratégias para criar novos negócios

Como facilitar o desenvolvimento de ideias de negócios?
A principal dificuldade dos meus alunos de empreendedorismo reside sempre na identificação de ideias de negócios.
O maior obstáculo para criar a própria empresa, apontado pelos inquiridos nos estudos que tenho feito sobre o assunto, é sempre o mesmo: encontrar ideias de negócios.
Na prática, as pessoas acabam por desenvolver ideias de negócios nas suas áreas de interesse profissional ou de lazer. Ou nas dos seus amigos e contactos.
"Diz-me sobre o que falas com os teus amigos e dir-te-ei a que negócios vais chegar".

O seguinte instrumento pode ajudar a ultrapassar este "bloqueio".


Das duas, uma. Ou se lança um produto novo ou um que já existe.
Ou se vai vender a pessoas que já estão neste mercado, ou para pessoas que não gastavam dinheiro neste mercado.

Daí resultam 4 estratégias alternativas:
  1. Disputar mercado. Criar uma empresa para vender o mesmo que outros, no mesmo mercado. É preciso ser melhor que os outros. Ex: Zynga.
  2. Inovação de produto. Vender um produto novo para substituir um produto que as pessoas compram actualmente. Ex: Carros eléctricos. 
  3. Inovação de mercado. Oferecer um produto já existente, num mercado onde ainda não existe. O franchising funciona nesta base. Abrir um café (produto mais comum em Portugal) num bairro novo, onde ainda não existe nenhum.
  4. Invenção. Oferecer um produto para satisfazer uma necessidade que as pessoas não sabiam que tinham. Google.
Acha que estas 4 alternativas podem tornar mais fácil encontrar a sua ideia de negócio?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

7 Lições de último livro de Seth Godin: Poke



Poke é um livro sobre a importância da iniciativa nos dias de hoje. As palavras chave são Start e Go.

1) O autor defende a tese de que no mundo actual, ninguém lhe vai dar um mapa para o sucesso. Tem de desenhar o seu próprio. Tem de iniciar.

2) Para iniciar, é necessário capital. Que capital? Financeiro, Social (rede de contactos), Intelectual, Físico, Prestígio e Instigação.

Defende também o autor que a qualidade, exigida pelo mercado, passou de “suficiente para vender”, para “zero defeitos”, e agora “remarkable”. Já ninguém quer produtos “aceitáveis”, com poucos defeitos. Mais, já não basta o produto não ter defeitos. É preciso ser excepcional e notável.

O autor aconselha os leitores a gerirem a sua carreira, iniciando, não ficando à espera de ser escolhido (para “o tal” caro, para “o tal” projecto,…). Escolher-se a si próprio.


3) No entanto, é necessário ter noção de que nem sempre o que se inicia funciona. Por isso, há cada vez menos gente disponível para iniciar.

Por outro lado, iniciar, experimentar, é cada vez menos dispendioso. A economia de iniciar mudou. O custo de falhar é menor que o custo de não tentar.

Nota o autor, que muitos sucessos resultaram de acasos, caminhos que não estavam nos planos iniciais, erros (Starbucks). Esses sucessos só apareceram, porque os empreendedores iniciaram.

4) Não basta começar. É preciso acabar: ship!

Importa, portanto, focar no trabalho e não no medo que acarreta fazer o trabalho.

5) Como se tornar bom a iniciar? Iniciando! Mal a início e depois melhorando.

6) As organizações não incentivam ninguém a iniciar. Falhar pode ter consequências para o indivíduo (chatear, disciplinar, humilhar, despedir). Por isso, não iniciar é mais seguro. Por isso o intra empreendedorismo é baixo nas empresas actuais (como confirma a dissertação de mestrado do Steve Lopes, hoje discutida e aprovada com boa nota na U. Évora).

A altura de iniciar é agora, porque o mercado (e o marketing) está obcecado com “novidades”.

7) Por outro lado, não existe “success-only” policy. Pelo menos ninguém inventou tal coisa. Logo, é preciso correr riscos.

O livro termina com uma citação deveras interessante:

“There are two mistakes one can make along the road to truth. Not going all the way, and not starting.” Siddhartha Gautama

Em resumo: vale a pena ler!

terça-feira, 19 de abril de 2011

5 app stores, muitas oportunidades globais

As "app stores" representam uma mudança e uma oportunidade muito importantes. Veja porquê.

IOS, Android, Windows Phone 7, RIM e OVI.

Cinco "plataformas". Cinco lojas de aplicações para smartphones. A última deve fechar brevemente, à medida que a Nokia adoptar o Windows Phone 7, em detrimento do Symbian.

Estas lojas representam muito mais do que parece.

Constituem uma novidade muito importante na distribuição. Pela primeira vez, um programador pode criar um produto (uma aplicação) e disponibilizá-lo para todos e quaisquer potenciais utilizadores.

Ou seja, todos os donos de telemóveis, que funcionem com aquela plataforma, podem adquirir a aplicação, fazendo o download da mesma pela internet e o pagamento por cartão de crédito.

Portanto, o cliente pode viver na Nova Zelândia e o programador em Portugal. As distâncias são totalmente irrelevantes. É tudo imediato.

São os primeiros mercados globais, em que clientes e fornecedores estão (praticamente) em pé de igualdade, independentemente (ou quase) do país onde residem.

  Windows Phone   

Este é um passo tão importante, que já começa a ser seguido noutras paragens:
  • Para começar, a Apple abriu uma loja para aplicações para Mac;
  • A Amazon vem desenvolvendo a loja para o Kindle em moldes semelhantes: qualquer autor pode publicar na livraria (desde que em inglês, espanhol ou francês) e qualquer cliente pode adquirir esses livros, onde quer que autor e leitor vivam;
  • A Amazon também abriu a sua própria loja de aplicações para Android.
Este "novo mundo" de mercados verdadeiramente globais e muito próximos daquilo a que os economistas chamam "concorrência perfeita" (muitos e pequenos agentes, tanto do lado da oferta como do lado da procura), representa um mar de oportunidades.

As centenas de milhar de aplicações já à venda nestas lojas estão longe de esgotar o potencial destes mercados, que continuam bem "abertos".

Quem vai aproveitar?

(leia mais sobre estes novos mercados no meu novo livro: http://www.facebook.com/Comercio.Distribuicao)

sábado, 16 de abril de 2011

Call for papers - International Journal of Transitions and Innovation Systems (IJTIS)

Caríssimos, venho solicitar todo o apoio na divulgação do call for papers para um número especial do International Journal of Transitions and Innovation Systems (IJTIS), revista científica da Inderscience, para o qual fui convidado a assumir o papel de Guest Editor.

Este número especial é dedicado ao tema: “The Role of Technology Interface Structures in Technology Transfer and Regional Development”.

O prazo limite para entrega de artigos é 30 de Junho de 2011.

O call for papers pode ser consultado neste link: http://www.inderscience.com/browse/callpaper.php?callID=1557

Os potenciais autores encontram indicações sobre formatação e procedimentos neste link: http://www.inderscience.com/mapper.php?id=30

Agradeço a colaboração.

Cumprimentos.

terça-feira, 29 de março de 2011

acredita, Portugal?

Já que estamos em maré de concursos, aqui fica o cartaz dum concurso de projectos, que vale a pena analisar.

Analisar e... acreditar.

Prepare o seu projecto e candidate-se.

Os estudos que realizei sobre concurso de empreendedorismo deram resultados muito claros: vale a pena!
Para todos, vencedores e seguintes.
São experiências muito enriquecedoras que valorizam os candidatos e os projectos.

Prémios até € 60.000.

Portanto,... acredite.

Para saber mais, clique na imagem e siga o link.

Boa sorte!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

As 4 fases de afirmação da inovação

O editor da revista WIRED, Chris Anderson, explica neste vídeo do TED2007 a sua teoria de previsão da evolução da tecnologia.

Teoria extremamente interessante e baseada em observações privilegiadas.


Segundo Chris, as inovações tecnológicas passam sempre por quatro fases:
  1. estabelecer o preço adequado;
  2. conquistar quota de mercado;
  3. deslocar uma tecnologia estabelecida;
  4. tornar-se ubíqua.
Como o vídeo já tem quase 4 anos, torna-se super interessante analisar os exemplos apresentados e verificar como seguiram efectivamente estas 4 fases.

Vamos juntar mais uns exemplos?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

10 Modelos de Negócio Inovadores em 2010

Este PPT é uma leitura obrigatório para quem cria, ou pode vir a criar, novas empresas.

Até para os gestores de empresas incumbentes, isto pode ser uma fonte de ideias para novas abordagens ao mercado.

Quantos destes modelos de negócio vão, na vossa opinião, ser importantes em 2011?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

1 novo mercado, múltiplas novas oportunidades de negócio

A Apple anunciou que está quase a alcançar o primeiro milhão de Apple TVs vendidas.
Esta invasão das salas de estar vai, pelo menos é o que indicam os rumores, levar à criação duma espécie de app store para vender aplicações para a Apple TV.

Isto para uma empresa que acaba aquele que terá sido, provavelmente o seu melhor ano de sempre, em grande parte graças ao sucesso das lojas iTunes e App Store, para iPods e iPhones, respectivamente, representa uma possível nova fonte de receitas.

Note-se que essas receitas, para além de registarem um crescimento explosivo, já estão bastante diversificadas, não dependendo excessivamente do comportamento de nenhum dos produtos da empresa.



Mas para o resto do mundo, esta nova loja de aplicações para a Apple TV representa a abertura dum novo mercado. O que acontece na app store e na nova mac store pode servir de exemplo.

Qualquer um pode desenvolver aplicações para esta nova plataforma e, colocando-as à venda na loja da Apple, oferecê-la a qualquer consumidor que tenha adquirido um equipamento da Apple, neste caso uma Apple TV.

Fornecedor e consumidor podem estar em qualquer parte do mundo, talvez até em diferentes hemisférios, porque isso é irrelevante.
Com meia dúzia de cliques e um cartão de crédito, encontram-se e faz-se a transacção.

Isto sim, é um mercado global!

E vocês, estão prontos para esta nova era da distribuição?

(Novo livro a lançar no próximo mês: http://www.facebook.com/Distribuicao.Comercio)