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quarta-feira, 16 de março de 2011

3 lições da "greve" dos camionistas

Agora que parece ter terminado o lockout das empresas de transporte rodoviário de mercadorias, ou empresas de camionagem, creio que podemos retirar alguma lições do que se passou:
  1. a mobilização e agressividade dos piquetes paralisadores foram muito menores do que da última vez;
  2. o impacto na opinião pública também foi menor. Já não era novidade, como da última vez. Nota-se também um sentimento do género "isto está tão mau para todos, porque devia ser diferente para eles?";
  3. o impacto nas "prateleiras" do retalho foi muito menor. Por um lado, a duração foi menor, por outro, as empresas responsáveis pela logística de distribuição já tinham preparado planos de contingência.

Na realidade, podíamos aprofundar esta discussão por outras vias:
  • a crescente concentração na distribuição alimentar (e noutros sectores importantes) retirou importância às pequenas empresas de transportes rodoviários. Foram só essas empresas que fizeram lockout, por isso o mesmo teve pouco impacto;
  • as pequenas empresas são as que realmente sofrem com a subida dos combustíveis, porque não têm poder de negociação que lhes permita reflectir o aumento do custo nos clientes. Por isso, precisam fazer estas chantagens sobre o cidadão e o contribuinte.
Ou seja, tudo reunido, este lockout (algo que a constituição portuguesa proíbe) parece ter tido menos impacto na vida dos portugueses do que o vulcão islandês de nome impronunciável.

Conhecem impactos mais profundos do que estes, provocados por esta "greve"?

PS: a esta hora ainda não consegui identificar quais foram as concessões do governo que levaram a um acordo, nem quanto vão custar aos bolsos do contribuinte.

2 comentários:

tetragrammathon disse...

As empresas que estiveram envolvidas na "greve" são basicamente micro empresas que trabalham em regime de subcontratação para as grandes empresas de distribuição que actuam no mercado nacional, sendo que o poder negocial destas é residual e apenas pode aumentar com este tipo de medidas extremas. No entanto desde o início do ano de 2011 todas as grandes empresas de distribuição voltaram a aplicar a taxa de combustível sendo que está vária de empresa para empresa, mas o valor mínimo que vi foi de 6,4% face as tarifas em vigor. Os camionistas obtiveram uma redução do preço das portagens da SCUTS de 10% durante o dia e de 25% para o horário nocturno para além disso poderão deduzir 40% dos custos de combustíveis no IRC.
Todos os consumidores já estão a pagar estes aumentos sejam as entidades que solicitam a prestação dos serviços de transporte quer sejam os consumidores finais.

Fernando Gaspar disse...

Na realidade, parte do acordo é pago, não pelos consumidores, mas pelos contribuintes.