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domingo, 20 de junho de 2010

Despedir

Os patrões portugueses querem facilidades nos despedimentos, para melhorar a competitividade das empresas portuguesas e, dessa forma, criar emprego!

Despedir para criar emprego!



São muitos os estudos demonstrando que a criação de novos empregos se faz principalmente nas novas empresas, não nas "velhas".

O normal é as empresas incumbentes despedirem pessoas quando se entra num período de crise e depois, quando surge a retoma, contratarem menos empregados do que aqueles que despediram.

Isso acontece em grande parte porque as crises obrigam as empresas a procurar formas de fazer o mesmo (ou mais) com menos gente. Melhorar a produtividade.

É até bom que assim seja. É mesmo fundamental para a competitividade das empresas.

Por isso, o que se pode fazer para fomentar o emprego é promover a criação de novas empresas, em vez de ceder a estas tentativas pacóvias de chantagem. Promover o empreendedorismo!

Como?

Sugiro três àreas principais:
  1. Reduzir barreiras à entrada
  2. Defender a concorrência
  3. Falar do tema
Em Portugal existem demasiadas barreiras à entrada. São os licenciamentos que demoram meses, as redes de distribuição que estão fechadas a novos fornecedores pelos contratos de exclusividade, a dificuldade em contratar talento (apesar da taxa de desemprego), a desigualdade no acesso financiamento,...
Em Portugal a autoridade da concorrência não protege as novas empresas dos quase monopólios existentes. E são tantos...
Falar do empreendedorismo, da criação de empresas, desdramatizar os obstáculos, celebrar os sucessos,... são coisas que fazem falta, que podem levar as pessoas a entusiasmarem-se.

Outras sugestões para promover o empreendedorismo?

4 comentários:

pedro disse...

boa tarde
os patroes portugueses no meu entender nao querem facilidades nos despedimentos, nao foi isso que eu ouvi.Nao se quer despedir os actuais empregados de forma mais facil, quer isso sim poder contratar temporariamente face a picos de produçao, e poder libertar de novo esses desempregados, se a "produçao" baixar, apenas isso. O problema esta em q os desempregados na sua maioria esta confortavelmente a receber sem fazer nada e se lhe propoem um contrato de 2 ou 3 meses recusa.

Gonçalo disse...

Eu concordo que novas empresas trazem mais empregos (é óbvio) mas não nos podemos limitar às novas empresas... grande parte da economia portuguesa depende das pequenas e médias empresas e essas é que querem mais benefícios fiscais. A carga fiscal para estas empresas é assustadora, e ao contrário das grandes empresas, grande parte das pequenas e médias empresas não foge aos impostos sendo assim a principal fonte de receitas do estado. Caso estas cargas fiscais fossem reduzidas haveria hipótese de aumento de pessoal dentro das empresas, coisa que está fora de questão tendo em conta os encargos com o IRS e a segurança social dos empregados já que para qualquer empregado o que interessa é o que eles recebem líquido... nem sequer têm ideia dos custos que a empresa tem com eles para além do seu ordenado.

Fernando Gaspar disse...

Ó Gonçalo, as principais fontes de receitas do estado são o IVA, o IRS e o imposto sobre os combustíveis.
O IRC representa uma parte pequena das receitas fiscais, porque tem uma taxa relativamente baixa e porque tem um nível de fuga incomparável.
Já concordo consigo quando diz que os encargos com a segurança social são elevados, mas qual é a alternativa? Vamos virar uma nova China e acabar com a protecção social?
Eu acho que o país só tem futuro se for capaz de criar novas empresas com postos de trabalho de cada vez maior valor acrescentado.
Os "empregos" das 9 às 5, sem responsabilidade e sem necessidade de grande especialização são coisa do passado, que bem podem ir para a China...
Não vejo que facilitar os despedimentos durante 2 anos (e foi isso que o Sr. da Confederação do turismo disse na TSF)acrescente o que quer que seja à economia portuguesa.
Claro que o pedro tem razão quanto ao "conforto" do subsídio de desemprego, mas isso é outra guerra.

Gonçalo disse...

Eu não lhe sei dizer qual é a componente do IRC nas contas do estado mas sei o que essa componente "pesa" nas contas das empresas. Muitas das pme's a que eu me referia são empresas que trazem valor e não são empresas com empregos normais das 9 às 5... Eu falo por experiência pessoal já que os meus pais têm empresas pequenas e eu sei o quanto eles pagam em impostos e segurança social. Eu estou-me a referir a empresas de serviços e/ou trabalhos especializados, que, no meu entender serão o futuro na Europa, uma vez que a mão de obra não especializada será sempre muito mais barata na china. Essas empresas têm encargos elevadíssimos com os ordenados, que geralmente são maioritariamente para empregados especializados, com as burocracias que só atrasam o desenvolvimento das empresas e com os impostos. Apesar dos níveis de desemprego assustadores que Portugal tem neste momento, eu continuo a encontrar muitos anúncios à procura de empregados em lojas, pastelarias, padarias, supermercados, etc... e todos nós sabemos que os níveis do desemprego não são reais sendo que uma parte desses "desempregados" estão empregados e não declaram para poderem receber os subsídios e não pagarem o IRS. Eu sei que é difícil "psicologicamente" para uma pessoa que estudou tantos anos acabar a trabalhar numa área que não lhe diz nada, (isso também é problema da quantidade de cursos que existem e que não fazem qualquer sentido, mas isso já é um problema diferente) mas como o Pedro disse e muito bem, isto iria ajudar as empresas a contratarem estas pessoas para empregos temporários. Eu espero não parecer demasiado "revolucionário" ou algo do género mas quando entrei para a empresa onde trabalho tb me disseram para não vir pq nos exploravam e eu gosto de cá trabalhar mesmo tendo muito trabalho. Eu acho que o importante, e que falta a muita gente, é a vontade de trabalhar.