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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Boas festas da TAP e ANA para os passageiros!

Os prejuizos podem até ser muitos milhões, mas nós os contribuintes pagamos.

O serviço pode não ser famoso, mas nós os passageiros aguentamos.

Valha-nos a alegria e boa disposição!

Esta acção de marketing de guerrilha da TAP e ANA mostra pelo menos uma vontade de comunicar com os clientes, que é o oposto do que faz o Serviço Nacional de Saúde.

Muito bem!

Já agora, se fosse possível terem menos atrasos e perderem menos bagagens... da comida não vou falar...


Lição de Marketing #1: Fale com os seus clientes

Continuo a escrever sobre o melhor Serviço Nacional de Saúde do mundo (ou lá perto).
Aquele que tem a pior de gestão do mundo (ou lá perto).
Esse mesmo, o português!

Esperar 5 horas para ser atendido por um médico num serviço de urgências é obviamente uma contradição relativamente ao nome do serviço.
Tinha que deixar de se chamar "urgência", para passar a chamar-se o "serviço de atender o pessoal doente, quando isso for possível"...

Não estou, no entanto, a questionar a necessidade de esperar as 5 horas.
Afinal os meus sintomas não eram exactamente extremos (por isso, a prioridade que me foi atribuída era baixa) e durante a espera chegaram várias ambulâncias com gente em condições bem piores, que foram atendidos primeiro.

De facto, pelo que percebi, a metodologia usada nas urgências será o que de mais avançado existe (um tal de protocolo de Manchester).

O meu problema é outro e é uma questão básica de marketing.

Então o SNS tem os seus clientes durante horas a fio nas suas instalações, sem nada para fazer, sem poderem ir a lado nenhum e não fala com eles?

As empresas têm geralmente que andar à procura dos seus clientes para falar com eles, ou para lhes fazer perguntas.
Por isso fazem publicidade nos meios de comunicação que pensam que chegam aos seus clientes.
Por isso fazem estudos de mercado, para lhes colocar perguntas.
Tanto num caso como no outro, gastam fortunas nisso.

O SNS tem-nos ali sem nada para fazer, quase dispostos a pagar para nos distrairem da desgraça que nos levou lá, e não nos diz nada?
Não nos faz uma perguntazita?

Que desprezo!
Que má gestão!
Que pecado de marketing!

Quantas empresas não dariam o c... e oito tostões* para ter um oportunidade destas?

Não há um cartazito a falar dos "feitos" do SNS? A falar de prevenção de doenças?
Não há um vídeozito de promoção do SNS? A mostrar as instalações?
Não há um questionáriozito para avaliar a percepção que os utentes têm dos diversos aspectos do serviço?

Que desperdício!

E não há uma caixa de sugestões?
Enquanto lá estive tive umas seis ideias para melhorar o serviço.
Imagino que cinco fossem disparate... ou seis... mas podia até ser que uma fosse boa e melhorasse mesmo o serviço.

Lição de marketing para SNS #1: não despreze o utente!
Fale com ele!
Faça-o sentir-se importante!

Caso contrário ele (que, para além de utente, cliente e contribuinte também é votante) um destes dias pode até decidir privatizar o SNS (o diabo seja cego, surdo e mudo)!

PS: não vale a pena virem dizer que os utentes que esperam para ser vistos estão com dores e não querem ser incomodados.
Uma grande parte de quem espera não tem nada, são acompanhantes, e uma outra fatia bem grande tem sintomas muito leves.
Só uma pequena percentagem estaria fora de condições para ler um cartaz ou responder a um questionário e esses... nem esperam muito, né? São os primeiros... espera-se!

* expressão do calão português que pode ser traduzido para "dar muita importância" :)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Melhor SNS do mundo, com a pior gestão do mundo?

Já contei aqui o episódio da farmácia fechada num hospital de urgências.

Creio que vale a pena analisar o conjunto dos tempos deste episódio: 5h de espera para ser atendido + 3h de testes e diagnóstico + 4h de espera pela chegada do medicamento.

Ou seja, os médicos, enfermeiros e técnicos diversos do SNS precisaram de 3h para realizar uma longa e complexa lista de testes e para diagnosticar uma doença rara.
Seguindo as contas da wikipédia, ocorrerão em Portugal um pouco mais duma centena de casos por ano. Ou seja, naquele hospital em especial aparecerão uma meia dúzia de casos por ano, ou um em cada dois meses. Com a rotação dos médicos, dificilmente aqueles que me atenderam terão visto um caso destes nos últimos meses... ou anos.

Recapitulando, 3h para o diagnóstico, com testes incluídos. Notável!
O melhor SNS do mundo.

9h à espera... incrível.
O SNS com a pior gestão do mundo.

Porque carga de água, no século XXI, é preciso o banco de urgências da grande Lisboa andar a telefonar para todos os outros, até encontrar um que tenha imoglobina?

Quando entramos em qualquer Bertrand (ou FNAC, ou Bulhosa,...) e pedimos um livro, eles dizem-nos logo em que livraria da rede ele está disponível (se algum).
As livrarias não têm ao seu alcance os bolsos fundos do contribuinte e construíram um sistema de gestão de stocks eficiente.
Porque é que o SNS não usou o nosso dinheiro para fazer o mesmo?

Porque é que o SNS precisa de 4h e montes de telefonemas para fazer chegar um medicamento dum hospital a outro, que fica apenas a 15m de carro?

Porque tem a pior gestão do mundo!

Voltarei a isto.



sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O Serviço Nacional de Saúde: quem lhes explica o que é o marketing?

No último post falei aqui da farmácia do hospital de urgências que fecha às 10h da noite. Resultado? 4h à espera que encontrassem o medicamento noutro hospital de Lisboa (no caso, veio do Santa Maria).

No entanto, isto não mudou a minha imagem do SNS: temos o melhor do mundo (ou lá perto).

Depois de ser atendido, bastaram umas duas horas para me ser feita uma impressionante bateria de testes: electrocardiograma, TAC, análises à urina e ao sangue, punção lombar para serem feitos ao líquido amniótico 5 tipos de análises e ainda uma observação por uma neurologista que, armada dos resultados de todos estes testes (ou dos que já estavam prontos), pôde fazer o diagnóstico.

Em muitos países do mundo não seria possível fazer todos estes testes. De todo!

Noutros, eu nunca teria dinheiro para os pagar, o que iria dar no mesmo.

Este é o lado menos divulgado do SNC: a impressionante capacidade de resposta dum país que, há não muito tempo, era uma espécie de terceiro mundo na europa e hoje está ao nível dos melhores.

Menos divulgado por culpa de quem? Do próprio!

A propósito, quem é o responsável pelo marketing disto?

Porque é que não se promovem os bons resultados?
É que os problemas aparecem sempre nas primeiras páginas dos jornais... (veja-se o exemplo das 6 operações às cataratas que correram mal no Santa Maria. Alguém sabe quantas intervenções idênticas são feitas por ano em todo o SNS?)

Dou outro exemplo: as pessoas esperam longas horas (no meu caso foram 4) nas urgências, sem terem uma verdadeira noção da razão para tamanha seca.
Porque é que não se divulga, nas próprias urgências e não só, o número de episódios atendidos naquele dia, naquele mês, naquele ano?
A minha pulseira tinha um número superior a 29 milhões...

Não é possível dar uma boa imagem a um serviço público se não se publicitam os resultados...

Da mesma forma que seria importante ouvir a opinião dos utentes, nem que fosse para estes se sentirem... ouvidos!
Onde estão as caixas de sugestões, os inquéritos de satisfação,... basta o livro de reclamações? Só interessam as opiniões negativas?

Porque é que o SNS não tem uma marca (e um logotipo) usada em todos os serviços e hospitais?

Alguém devia dar umas noções de marketing aos responsáveis pelo SNS.

Boa saúde e boas festas para todos!



quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal dos Hospitais

Este ano calhou-me passar o meu primeiro Natal no hospital (neste caso o Egas Moniz em Lisboa).




Diz que tenho um tal de Síndrome de Guillain-Barré, nome fino claro.

Tem sido curioso observar por dentro o sistema nacional de saúde, com todas as suas glórias e inconsistências. Vê-se o melhor e o pior, mas em geral, tenho de me considerar com sorte por viver em Portugal...

À medida que a força nos dedos for voltando (assim o espero), irei dando conta do melhor e do mais engraçado.

Para começar, o que acham dum hospital cuja urgência serve uma grande parte de Lisboa, mas cuja farmácia fecha às 10 da noite?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

os perigos do endorsement

A prática de colocar figuras públicas (do desporto, do cinema, da música, da TV... de todas as áreas) a "recomendar" certas marcas de produtos de consumo tornou-se corrente nos dias de hoje.

Tão corrente quanto a sociedade dos nossos dias iconizou essas figuras públicas.

Ter alguém como Tiger Woods a recomendar a nossa marca pode ser fantástico.
É um golfista tão conhecido, tem uma imagem tão positiva, é uma referência para a juventude,... só pode trazer vendas para a nossa marca.

Claro que custa bom dinheiro (ele cobra-se bem, qualquer coisa como 70 milhões USD por ano em contratos publicitários), mas rende bem mais que isso. Por isso, as marcas o adoram (a ele e ao Cristiano Ronaldo, por exemplo).

Até que... até que a imagem da figura pública muda subitamente. Em vez do "role model", pai de familia, vencedor no seu desporto e na vida, passamos a ter o adúltero, que é agredido pela mulher e estampa o carro contra uma árvore...

Então e agora?

Ainda nos interessa ter a nossa marca associada a esta figura pública?
O que terá maiores custos?
Ser notícia por quebrar contrato com o homem (ainda por cima numa altura difícil para ele) ou deixar que a (nova) má imagem dele afecte negativamente a nossa marca?

Parece que tanto a Accenture como  a Gillete optaram pela primeira e, se calhar vão começar a avaliar melhor esta política de promoção dos seus produtos. Afinal tem perigos em que não tinham pensado...



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Sucesso das Startups: resolver problemas ou sintomas?

Socialmediatoday.com é um blog que eu acompanho com interesse e recomendo.

Recentemente publicou um post com um ponto de vista interessante: para ter verdadeiro sucesso, uma empresa deve oferecer uma solução para um problema das pessoas, não para um sintoma!

Dá alguns exemplos do que afirma.
O que compara o Messenger (que resolveu a necessidade de comunicar em tempo real com os amigos) com o Twitter (que resolveu a necessidade de comunicar em tempo real com qualquer pessoa), é muito bom para perceber esta diferença entre sintoma e problema.

Até reconhece que algumas startups que resolvem sintomas até podem ter algum sucesso, embora limitado.

O mais importante que se pode retirar deste raciocínio, na minha opinião é diferente.

De facto, uma empresa que apresenta uma nova solução para "sintomas" também podem ganhar dinheiro (a aspirina não cura nada, mas vende que se farta).
Outras empresas até podem apresentar soluções que não são novas, que são cópias, e ganhar dinheiro. O empreendedorismo imitador é muito importante para as economias e para o espalhar das inovações.

Mas as empresas que realmente modificam o mundo são aquelas que apresentam novas soluções para problemas das pessoas.

A Apple resolveu o problema das pessoas que queriam ouvir música sem terem que andar com CDs ou cassetes, ou aparelhos pesados atrás... com o ipod.

A Microsoft resolveu o problema das pessoas que precisavam usar um computador para fins pessoais ou para pequenos negócios, sem terem que adquirir as grandes e caras máquinas da época... com um sistema operativo (MS-DOS lembram-se?) que lhes permitiu usar os computadores pessoais.

A Google resolveu (ou está a resolver) o problema de toda a gente que precisava encontrar informação na web e não sabia onde ela estava... com o motor de busca.

Podemos enumerar mais exemplos, mas como encontrar a "próxima Google"?
A pista está na diferença entre problemas e sintomas.
Está, portanto, na hora de focar mais nas pessoas, nas suas necessidades e nos seus problemas.
E oferecer novas soluções!



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O estranho caso da Apple

É justo dizer que esta foi uma empresa marcante nos últimos anos.
Foi ela que revolucionou o negócio da música com o ipod.
Foi ela que transformou o negócio das comunicações móveis com o iphone.
É ela que mantém nervosa toda a gente nos negócios da TV, dos jogos vídeo,... com medo de que entre nestes negócios.
E, como se não bastasse, continua a vender computadores a fiéis clientes.

No entanto, esta empresa "marcante", que regista alguns dos casos de maior sucesso no marketing da última década, não usa o Twitter, pouco ou nada faz no Facebook, não se envolve em comunidades online, não percorre os fóruns para interagir ou sequer responder aos clientes... na verdade, nem passa cartão às críticas.

A estratégia de marketing da Apple que, repito, produziu alguns dos maiores sucessos na última década (a começar pelo ipod, claro) é o mais "clássico" que pode haver.
Gastam dinheiro a rodos na promoção. Onde?
Anúncios na TV, rádio e imprensa escrita.
Mesmo a publicidade que faz online é consituída por banners da "velha escola". Pouco ou nada faz de adwords ou outra publicidade pay-per-click.

Isto não é um enorme contratempo para aqueles que defendem que o marketing "mudou"? Que é preciso as empresas aderirem ao conceito de "marketing de atracção"...

Claro que isto é discutível, mas permito-me retirar algumas conclusões da análise da Apple:
  1. ter os melhores produtos para resolver os problemas das pessoas ainda é a melhor forma de vender. Nesta época de compras, até tive oportunidade de comparar o ipod com outros leitores de mp3 e faz-me imensa confusão como é que os outros concorrentes ainda não conseguiram copiar aquilo direito. Como é que o ipod ainda é tão melhor que toda a concorrência?
  2. o que mais interessa no marketing não é a forma de promoção. A Apple pode até ser "antiquada" na promoção, mas a sua estratégia de marketing acertou em cheio, porque posicionou as suas marcas como o mais "cool" para os segmentos certos (adolescentes para o ipod, jovens adultos urbanos para o iphone, por exemplo) e isso é muito mais importante que o tipo de publicidade que a empresa adopta.
  3. mesmo que não faça publicidade pay-per-click, qualquer busca no Google sobre leitores de mp3 apresenta uma página com o ipod nos primeiros lugares, da mesma forma que uma busca por smartphones apresenta páginas com o iphone nos primeiros. Ou seja, a optimização para os motores de busca foi feita...
No fundo, a principal conclusão, na minha opinião, é que o marketing (clássico ou online, com ou sem uso das redes sociais, com ou sem publicidade pay-per-click) tem que ir muito para além da publicidade, tem que começar muito antes.
Se a segmentação e o posicionamento não forem bem feitos, não há publicidade que faça milagres!

Mais sobre o assunto neste outro artigo.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Empreendedorismo: risco e recompensa

Num recente artigo, o economista chefe dum dos principais organismos dedicados ao fomento do empreendedorismo nos USA, o Office of Advocacy of the U.S. Small Business Administration, Chad Moutray, analisou os rendimentos anuais das pessoas que terminaram um curso universitário em 1993, nos estados unidos, vinte e cinco anos mais tarde, e comparou os empreendedores com os assalariados.

Os resultados podem ser analisados nesta tabela, retirada daquele artigo:



Olhando para a tabela, é fácil concluir que há muito mais empreendedores ricos (ganham mais de US$100 mil por ano) do que assalariados.

Portanto, quem quer ser rico, o melhor caminho para o conseguir não é trabalhar como assalariado para os outros (e isto é apenas uma conclusão de senso comum).

Mas, olhando melhor para a tabela, também podemos concluir que há muito mais empreendedores pobres (menos de US$20 mil) do que assalariados!

Ou seja, este é um caminho de risco! É muito mais seguro trabalhar como assalariado (mais de 80% pertencem à classe média!).

Como se diz na nossa terra, quem não arrisca não petisca!

Curiosamente, este é o slogan do programa de apoio ao empreendedorismo na Amadora:



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Concursos de ideias

Li ontem um artigo interessante no blog TechCrunch sobre os inúmeros concursos de ideias que se tornaram habituais desde que o empreendedorismo entrou na agenda de políticos, universidades, associação empresariais, capitais de risco,...: Winner’s Curse: Why Losing A B-School Biz Plan Competition Is Better Than Winning.


Para além duma breve história da origem destes concursos, este autor, professor na prestigiada Duke University, desenvolve o talvez estranho argumento de que os mesmos não servem para criar fantásticas startups.
Procura mesmo demonstrar que isso nunca aconteceu, ou seja, nenhum destes concursos terá alguma vez dado origem a uma nova empresa de grande impacto!

No entanto, defende que os concursos de empreendedorismo são duma grande utilidade na formação dos estudantes universitários, por tudo aquilo que aprendem sobre as dificuldades de criar uma startup.

A minha própria investigação mostrou que os concursos realizados em Portugal ajudam os concorrentes a melhorar as suas capacidades para identificar oportunidades e criar novas empresas.

Parece ser portanto uma moda a que vale a pena dar continuidade.

sábado, 28 de novembro de 2009

The Muppets: Bohemian Rhapsody

Não perder este vídeo dos velhinhos marretas a cantar os velhinhos Queen: Bohemian Rhapsody

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Incubadoras, pré incubadoras, incubadoras virtuais

Incubar consiste em pegar nos ovos, dar-lhes calor num local abrigado e acolhedor e esperar que eclodam.
É isso que fazem as aves, depois de porem os ditos.
É isso que fazerm os criadores de aves (em Portugal, isso acontece especialmente com frangos e codornizes).

É isso que fazem as incubadoras de empresas. Acolhem os novos projectos, num ambiente acolhedor, até que a nova empresa esteja bem "eclodida" no mercado e, portanto, em condições de voarem "solo".

Para isso, cedem instalações a preços reduzidos, oferecem serviços de apoio e fomentam o networking da jovem empresa, para que esta possa desenvolver o seu potencial em segurança.

Três variações devem ser consideradas:
1) as pré-incubadoras
Acolhem empreendedores que estão a desenvolver um projecto, até ao momento da criação da nova empresa, frequentemente pelo prazo máximo dum ano;
2) as incubadoras
Acolhem empresas acabadas de criar, durante um período de dois ou três anos, até que estas se "emancipem";
3) as incubadoras virtuais
Fornecem os mesmo serviços que as outras incubadoras, com particular ênfase no networking, mas não disponibilizam instalações.

Vem isto a propósito do meu "choque" quando constatei que a única incubadora a funcionar em Santarém (a DET) está fechada e em obras, tanto on como offline.
Não sei o motivo, mas não deixarei de indagar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

franchising

O IIF – Instituto de Informação em Franchising realizou na passada terça-feira o I Encontro dos Profissionais de Franchising, em Lisboa, e fez o favor de me convidar para um dos painéis, onde se abordou o futuro do franchising depois da crise.

A experiência foi deveras interessante, sobretudo por me ter permitido ver como os participantes (franchisadores) olham para o futuro, procurando identificar as tendências e as mudanças em curso na sociedade portuguesa.

Nem sempre se tem a noção da quantidade de marcas portuguesas que se tem expandido através do franchising, nem do know-how que o país acumulou nesta área e que leva a que algumas dessas marcas estejam hoje presentes em vários outros países, ou que algumas marcas estrangeiras confiem a internacionalização pela via do franchising aos parceiros portugueses.

A imagem que me ficou mais marcada na retina foi ver um grupo de pessoas cujo negócio consiste (grandemente) em "vender" modelos de negócio que demonstraram resultar no passado, a olhar para o futuro e a procurar a mudança (em vez de a evitarem).

Assim fizessem todos os sectores da economia portuguesa.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Depeche Marketing

O show dos Depeche Mode no Pavilhão Atlântico, sábado à noite, foi muito bom. Um espectáculo multimédia bem produzido que animou uma multidão acima das 15 mil pessoas, que esgotou o recinto.
Animou tanto que até fez com que esquecêssemos a péssima organização da UAU, que obrigou milhares de pessoas com bilhete comprado a esperar mais de uma hora à chuva, até poder entrar no recinto. Inacreditável. Onde fica o livro de reclamações numa hora destas?


(foto publicada em wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Depeche_Mode)

Este sucesso duma banda com quase três décadas de carreira, mas que não publica um disco de topo há tanto tempo, faz pensar como a indústria da música mudou e como o modelo de negócio e as estratégias de marketing são hoje muito diferentes.

Afinal esta banda foi criada numa altura em que o objectivo desta indústria era vender discos (CDs)! Ponto.
Era isto que fazia a fama e a fortuna!
Os espectáculos serviam para promover os CDs. Faziam-se tornées para divulgar e promover os novos CDs, porque eram uma boa forma de os dar a conhecer. As receitas dos espectáculos eram muito inferiores às receitas dos CDs.
O objectivo era, portanto, vender CDs.

Entretanto, surgiu o mp3. E o download de músicas da net.

A indústria mudou radicalmente e aproximou-se do modelo de negócio a que actualmente se costuma chamar "FREE".

As pessoas compram hoje muito menos CDs. Em vez disso, fazem download (legal ou ilegal) das músicas que querem ouvir no seu mp3.

As receitas de vendas de CDs caíram para metade desde 1999.
Mesmo somando as vendas de CDs aos downloads legais de música, os valores de 2009 continuam muito distantes do que eram há uma década.

No entanto, esta enorme vaga de ficheiros mp3 que varreu o mundo e levou todo o tipo de música aos milhões de computadores ligados à net teve o efeito de divulgar e tornar mais conhecido o trabalho dos artistas.
Com isso, e com a melhoria nas salas de espectáculos, registou-se um espectacular crescimento nas receitas dos espectáculos ao vivo, que mais do que compensou a quebra nas vendas de CDs.

A fama e a fortuna conseguem-se agora fazendo grandes espectáculos ao vivo!
Passou-se a um modelo de negócio em que os CDs são lançados para promover as digressões de espectáculos ao vivo. Em cada vez mais casos, as bandas (sobretudo as mais conhecidas) até oferecem o download (legal) dos novos temas a partir dos seus sites oficiais, para os tornar conhecidos e, assim, chamar público aos seus espectáculos.

Desta forma, percebe-se melhor o fenómeno de bandas como os Depeche Mode que enchem salas de espectáculo, sem publicarem CDs de monta há mais duma década.
É que a música deles já é bem conhecida e os downloads ilegais só vieram ajudar a espalhá-la pelo planeta.
Agora só têm de facturar nessa notoriedade adquirida, vendendo espectáculos ao vivo.

Ou seja, a indústria da música for forçada a adoptar um modelo de negócio que outras indústrias adoptam por escolha: oferecer de graça aquilo que parece ser o produto principal, para facturar com aquilo que aparentemente são os "sub-produtos".
É o modelo dos fabricantes de impressoras que quase oferecem (nalguns casos, oferecem mesmo) as impressoras, para depois facturarem nos tinteiros.

É toda uma nova tendência que promete mudar as estratégias de marketing das empresas e que vem razoavelmente ilustrado num livro recentemente publicado em Portugal: Free (2009) Chris Anderson, Random House.
 
É uma estratégia de marketing que, como todas as outras, tenta concretizar, em relação ao mercado, aquilo que os Depeche Mode cantam à quase trinta anos:
 
reach out and touch me!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Seleccionar Segmentos Alvo / Procurar Ideias de Negócio



A procura de segmentos de mercado para o lançamento de novos produtos, novas empresas ou reposicionamento de produtos existentes é uma velha batalha daqueles que trabalham em marketing.
É importante para as empresas existentes serem capazes de identificar segmentos de mercado (isto é, grupos de pessoas) que não estejam a ser muito bem servidos, porque aí podem lançar novos produtos/serviços, novas versões dos produtos já existentes ou reposicionar alguns destes para tentar agradar a esses grupos de pessoas.
É também importante para os empreendedores porque aí podem oferecer os produtos/serviços das novas empresas que criem para o efeito.
Sendo certo que todos querem identificar esses segmentos "mal-servidos", a questão que se coloca é como o conseguir.
A metodologia tradicional, que consta de toda a literatura clássica na área do marketing, foi desenvolvida pelas empresas de consultoria (sobretudo americanas) nos anos 60/70 e diz-nos para fazer sucessivas análises ao meio ambiente (análise PEST) e à própria empresa (análise SWOT), para usar sucessivas variáveis (demográficas, geográficas, psicográficas,...) na identificação de possíveis segmentos de mercado e, finalmente, para aplicar análises à atractividade de cada segmento e à concorrência que se enfrenta em cada um para, no final de tudo isto, seleccionar quais são os segmentos em que vamos competir.
Uff...
Muito trabalho (como convém às empresas que querem vender consultoria) e que mundo mais arrumadinho e compartimentado. Dá muito jeito que o mundo seja assim, para aplicarmos estas análises todas, uma de cada vez...

Isto pode ser feito de outra forma. Se calhar, tem de ser feito de outra forma, por todos aqueles que não têm o tempo e os recursos necessários para todas análises bem delimitadas...

A minha proposta é esta: vamos procurar mudanças no mercado, isto é, nas pessoas.
Primeiro ponto, temos de reconhecer que as mudanças nas pessoas processam-se a (pelo menos) três níveis:
a) longo prazo;
b) sazonal;
c) dia-a-dia.

As primeiras incluem as migrações, que levam a população a concentrar-se no litoral e nas cidades, ou o crescimento nos níveis de instrução da população, ou ainda, o aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população.
As segundas têm a ver, essencialmente, com as modas e o clima. Em todos os verões, aumenta a procura de protectores solares. No inverno baixa. São mudanças fáceis de antecipar.
As terceiras passam pela necessidade de variedade e de novidades que toda a gente sente.

Dito isto, o segundo ponto é que nos interessa identificar três tipos de mudança:
1) as mudanças em curso;
2) as mudanças que podemos prever;
3) as mudanças que podemos provocar.

As primeiras estão a afectar o mercado de alguma forma. Interessa identificar que forma. As migrações estão em curso, tal como o envelhecimento da população. Abrem novos mercados, provocam a retracção de outros.
As segundas são oportunidades ou ameaças. Devemos dirigir a nossa estratégia para elas. Se podemos prever que a procura de cuidados à terceira idade vai crescer numa certa região, podemos desenhar uma estratégia para aproveitar essa mudança.
As últimas são o verdadeiro objectivo, o santo graal do marketing e do empreendedorismo. Foi isso que a Apple conseguiu com o ipod: mudou o mercado do entretenimento. É isto que a introdução de novas tecnologias no mercado pode provocar: mudança.

Ao procurar estas mudanças, importa perceber o que as causa: a legislação, a demografia, a cultura? Ou é a busca de variedade que leva as pessoas a mudar de comportamento?

Sim, é verdade, no fundo, estamos a fazer as mesmas análises que na abordagem clássica. Claro! O Mundo é o mesmo.
A diferença é que arrumamos as ideias de outra forma... menos compartimentada... menos bem comportada...

O que interessa, de uma forma ou de outra, é identificar os tais segmentos "que podemos servir melhor". Seja para criar novas empresas, seja para dinamizar a empresa em que trabalhamos.

Depois,... depois é preciso agradar a esse segmento alvo.
Mas isso é outra história.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

7 ways to impress a venture capitalist

Three experienced venture capitalists say they explore seven critical factors before making a deal with an entrepreneur. Happy customers, a seasoned team and meaningful metrics are all keys to securing investment, they note....http://r.smartbrief.com/resp/sregdbuPzstwnjfgajbTBoalgUFp?format=standard 

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Estudar o mercado 2.0



Estudar as necessidades, os desejos, as preferências, os problemas das pessoas que constituem um mercado foi sempre visto como um passo decisivo na construção duma estratégia de marketing de sucesso.

Para a empresa (ou futura empresa) seleccionar o segmento a que vai querer vender, precisa identificar que (se) segmentos podem ser concebidos, ou seja, entender as pessoas que podem fazer parte desse mercado, o que as distingue, o que as preocupa, de que precisam.

A web 2.0 oferece-nos uma série de instrumentos que podem ser decisivos para o sucesso deste estudo e baixar em muito o seu custo.
Recomendo especialmente as seguintes:

  • Wordtracker ou a ferramenta de palavras chave do Google adwords. Estas ferramentas dão-nos acesso às tremenda bases de dados onde estão acumuladas as buscas que os utilizadores fizeram no Google. Esta informação é incrivelmente rica. As pessoas vão aos motores de busca para encontrar soluções para os seus problemas. Estudando as palavras chave que usaram podemos aprender imenso sobre os seus problemas, as suas necessidades, os seus problemas...
  • Google fight. Parece (e é) uma brincadeira, mas permite-nos comparar palavras chave, ficando a saber quais são mais usadas. Experimente comparar a mesma palavra chave com e sem erros ortográficos comuns...
  • Google Reader e Google Blog Search. E que tal estudarmos o que os potenciais clientes dizem nos blogs sobre um produto, um problema, uma necessidade?
  • Redes sociais: e porque não ouvir o que as pessoas dizem nestas redes (hi5, facebook, myspace, linkedin, Twitter, TheStarTracker...) sobre o nosso produto (se já existir) ou sobre o problema, ou a necessidade que pretende resolver? Todas têm instrumentos para fazer quizzes... o que é isso senão um questionário?
Voltarei a este assunto, com instrumentos da web 2.0 para estudar a concorrência e o meio ambiente...

Boa semana.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Marketing e Publicidade




Fazer o marketing dum produto, dum serviço ou dum candidato é uma expressão que normalmente é utilizada no sentido de "promover o produto", "publicitar o produto".
Com demasiada frequência ouve-se as pessoas pedir "ideias de marketing", quando na realidade procuram novas formas de promoção. Houve até quem recentemente me disse qualquer coisa do género de "quando se faz publicidade, vai-se fazendo muito marketing"... não perguntei o significado disto...

Esta confusão entre marketing e publicidade foi tão longe que me faz pensar que até as diversas licenciaturas em marketing e publicidade hoje existentes resultam de alguma confusão.

Mais do que trazer para aqui as definições de marketing e de publicidade (links para a wikipedia), parece-me interessante notar que a prevalência desta confusão é afinal um sinal de derrota. Derrota para o marketing.
Sim porque, afinal, o objectivo do marketing é suposto passar por identificar um grupo de pessoas a quem podemos satisfazer uma necessidade, desejo ou problema, de uma forma superior ao que os concorrentes estão a fazer e, depois de seleccionar esse segmento alvo, posicionar a nossa oferta para agradar a essas pessoas.

Bom, mas se ao fim de várias décadas de "evangelização" do marketing, ele ainda é confundido com publicidade, então é inevitável admitir que existe um problema de posicionamento. Não se conseguiu criar o posicionamento desejado, ou seja, a ideia que as pessoas fazer do marketing não é aquela que se pretendia, portanto o posicionamento está confuso e errado.

Para além de irónico, isto é seguramente uma derrota...
Frustrante para quem trabalha na área e, sobretudo, para quem ensina marketing.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Qual o seu modelo de negócio?

Fase crucial no processo de desenvolvimento de novas ideias de negócio é o desenho do modelo de negócio da futura startup. Como é que a futura empresa vai ganhar dinheiro?
Esta é uma fase que se revela difícil para os menos experientes. Já têm uma ideia do que querem fazer, mas identificar os fluxos de bens e serviços e correspondentes fluxos financeiros envolvidos nessa ideia de negócio torna-se muitas vezes difícil, mais ainda numa altura em que muitos concorrentes entram no mercado com modelos de negócio que envolvem "oferecer" algo gratuito ao mercado, para captar clientes e depois facturar com outros serviços ou bens que vendem a esses clientes.

Já me aconteceu acompanhar grupos de alunos, que trabalhavam numa ideia de negócio cujo modelo inicial se baseava em receitas de aluguer de activos, para mais tarde chegarem à conclusão que o verdadeiro potencial daquele negócio estava nas receitas de publicidade.

Este exemplo ilustra a importância duma boa análise do modelo de negócio da futura startup para o seu sucesso.
No entanto, o modelo de negócio desenhado nesta fase estará também na base do plano de investimento e do plano de financiamento da startup.

Em poucas palavras, pode-se aconselhar o empreendedor a identificar todas as possíveis fontes de receitas da actividade em que está a pensar investir. Vai abrir uma discoteca? Então, se calhar, vai cobrar entradas, vai vender bebidas no bar, é até capaz de vender alguma publicidade no interior...

A partir daqui, pode identificar os custos que terá de suportar para desenvolver estes serviços e assim completar o modelo de negócio. Fazê-lo envolve normalmente realizar escolhas estratégicas sobre o funcionamento do futuro negócio, não só do lado das receitas (que serviços cobrar, quais oferecer, se alguns, que níveis de qualidade oferecer,...), como do lado dos custos.

Para concretizar este modelo de negócios, será necessário realizar determinados investimentos, o que vai permitir que o empreendedor faça, de seguida, o seu plano de investimento e de financiamento.

Fazer um mapa de fluxos é uma técnica útil nesta fase mas, se não a dominar, a tradicional folha de cálculo, ou até a folha de papel e o lápis também podem servir.
Mãos à obra!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mark Zuckerberg On Innovation

Entrevista muito interessante com o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, 25 anos, bilionário, empreendedor, aluno de Harvard (universidade que lhe cancelou o acesso à internet...).
Inspirador!
Mark Zuckerberg On Innovation

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Which are the main steps to create a start-up?


Steps to create a start-up? I should start by recomending to read my book on this very issue. However, it is written in Portuguese, which very likely isn't a language you master...
So I will give you a schematic:
1) Find an opportunity
2) Gather the resources to create a company
3) Start the company and go to the market

Easier said than done, right?

Let's start with 1)
Where the heck will I find an opportunity? What is that?
Short answer: talk to people. Talk about the things you like in life ad always look for ways to make money. Imagine business models (that is rendering products or services to the market for a price and incurring in costs) for any activity related to the things you like.
Also look for innovations being brought to the market elsewhere. What are entrepreneurs doing in other areas and how could you use that in the areas you like.
Analyse and test the opportunities you develop. Make sure you turn down the (many) ones which have no viability. Do your math on income-expenses but always look for alternativa economic models, that is, how can you monetise the business in a way completely different from what is being done.

Second phase. How do you get the resources you are going to need to create your startup: money, money, money, people, technology, installations, equipment, contacts, know-how,...
Write a business plan. Write a brochure. Create an "institutional" site. Be ready to pitch your idea at any time.
Make sure you know very well what investment it's going to be necessary and then choose the best financing alternatives (look for costs and refunding periods).
Can't get the resources you need? Tried the help of business angels? More experienced entrepreneurs? It's always better to have only a part of a good business than 100% of... nothing.
Still can't get the resources? Move forward. Maybe it's not the right time to start that business. Maybe the idea is not as good as you think. Just move forward.

Third phase. Startup.
Now you've done it. Now is the time you don't sleep, you don't eat right, you only think about your business.
Starting a business is a passion.
It's also big troubles. People don't know your brand. Why should they buy from you? Make sure you give them good reasons.
Be very, very aware of cash.
Cash-flow is king in a startup. Control every penny until you can say your company is cruising...

And be happy.

PS: have you prepared your exit strategy? Make sure you do...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mestrado em Empreendedorismo na Universidade Lusíada de Lisboa

Um dos comentários ao post que fiz na semana passada sobre a busca de ideias de negócio pelos alunos da unidade curricular "empreendedorismo", levou-me a tentar juntar duas ou três ideias neste post sobre uma questão que considero ser crucial.

Dizia o comentador (que assinou "we") que "empreendedorismo não se ensina.  é um estado de alma..." e seria essa a razão para os meus alunos revelarem habitualmente dificuldade em encontrar oportunidades. Diz mesmo que "formar "empreendedores" é no mínimo deprimente. Pode-se formar gestores, empresários, marketers." Empreendedores não!


Adorei que a esta questão fosse levantada porque me parece ser particularmente importante em Portugal, nos dias que correm.
Seguindo este raciocínio, as muitas cadeiras de empreendedorismo que foram criadas nos mais diversos cursos e faculdades/escolas por esse país fora, nos últimos 10 anos, são um desperdício.
O mestrado em empreendedorismo lançado este ano na Lusíada seria igualmente uma perda de tempo.


A pessoa ou tem o tal "estado de alma" ou não tem. Ou nasce empreendedora ou não.
Uns são os "eleitos", os outros não chegam lá... (eu sei que estou a exagerar as palavras do comentador. Só um pouco...)


No entanto, várias décadas de investigação demonstram que nada distingue os empreendedores da restante população (ver uma síntese em Gartner (88) "Who is the entrepreneur?" is the wrong question. Entrepreneurship Theory and Practice, winter issue).


Se nada os distingue, se não se "nasce" empreendedor, então pode-se ensinar as pessoas a serem-no e pode-se difundir e tentar que as pessoas adiram ao tal "estado de alma", a que se costuma chamar ESPÍRITO EMPREENDEDOR (por exemplo, no livro verde da comissão europeia sobre empreendedorismo).


E afinal qual a complicação de criar novos negócios? É mais complicado do que engenharia? Mais difícil do que economia?
Não creio.


Do que tenho a certeza é que é possível ensinar as pessoas a procurarem ideias de negócio, angariarem recursos e lançarem empresas no mercado...
Não quer dizer que se possa ensinar as pessoas a serem o próximo Bill Gates, ou Belmiro de Azevedo...
Da mesma forma que se pode dar a melhor formação a um aluno de economia e isso não garante que ele vá ser um bom economista (foi essa a minha formação).
A razão é simples... talento não se ensina.
Portanto, uns alunos de economia vão ser prémios nobel, outros vão ser muito bons e outros ainda... nem por isso.
Também os alunos de empreendedorismo virão a criar novos negócios (é esse o objectivo) brilhantes, outros assim assim, outros ainda serão um desastre e alguns nem chegarão a criar qualquer nova empresa.


Gostava muito de ouvir mais opiniões sobre este tema e, para já, deixo este vídeo de promoção do mestrado em empreendedorismo da Lusíada.
A página do mestrado em empreendedorismo é no facebook. Também podem passar por lá e deixar algum feedback.







terça-feira, 15 de setembro de 2009

Oportunidades

Este mês começo mais um semestre da unidade curricular "Empreendedorismo".

Mais um grupo de finalistas de licenciaturas na área de gestão vai ser confrontado com a necessidade de "criar um negócio".
São-lhe fornecidos os melhores instrumentos para conceber o modelo de negócio, para angariar recursos, para preprar a entrada da empresa no mercado, mas tudo tem um começo atribulado: como identificar uma oportunidade de negócio?
Todos os anos sucede o mesmo, os aluno revelam uma enorme dificuldade em conceber uma oportunidade de negócio.
De ano para ano, são mais e mais os instrumentos de apoio que se podem disponiblizar a estes alunos (e que estão ao alcance de qualquer empreendedor) mas nesta área de identificar oportunidades... nem por isso.
Posso dar-lhes a ler uns sites e uns blogs que incentivam as pessoas a "explorar os seus interesses", ou a "estudar as necessidades dos seus amigos", mas nada de muito convincente.
Este ano vou lançar a esta turma o desafio de utilizarem a busca de palavras chave, através das ferramentas disponibilizadas pelo Google, para analisarem e segmentarem o mercado.
Alguém contribui com outras propostas?
Como procurar oportunidades de negócio?
Fica o desafio.

sábado, 12 de setembro de 2009

Página oficial da causa do empreendedorismo em Portugal

A causa do empreendedorismo em Portugal tem agora uma página oficial no Facebook.

Visite a Causa do Empreendedorismo em Portugal.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Porquê fazer um Plano de Negócio (2)

Na sequência de comentários recebidos, venho acrescentar ao post anterior que esta é uma vantagem de participar em concursos de projectos.

Mesmo que o concorrente não ganhe, fica com um plano de negócio feito e (talvez, depende dos concursos) recebe também análises críticas que lhe podem permitir melhorar esse PN.

Abraço.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Porquê fazer um Plano de Negócio

Why should you make a business plan, unless you want to use it to get funding?

There are plenty of other reasons. In fact, the business plan can be a very useful instrument for the entrepreneur in 3 phases:
1. opportunity assessment
2. resource gathering
3. market launching

1. opportunity assessment
Have a business idea but not sure if it is "the one"? Write down the essentials: describe the opportunity, the business model, the sales and cost projections, the investment plan... Then read it and evaluate the ups and downs of the "proto-project".

2. resource gathering
If you need to get funding, the business plan is a must, even though it is a bad sale instrument. You need other instruments to sell the project.
The business plan is essential to build your credibility and to evidence the project's strong points. It can, therefore be helpfull in gathering resources other than money, especially key people

3. market launching
The business plan can also be a big help when the startup hits the market.
First of all, if you have a business plan, you made a lot of previous preparation and planning. Therefore, you will have a better chance of succeeding.
Second, you have a plan! A strategy. So follow it.
Third, you have objectives and targets. So control them regularly and adjust your strategy accordingly.

So my opinion is clear: a business plan is a must for any entrepreneur, even if you don't need external funding.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Como traduzir em papel uma ideia de negócio para a poder apresentar a investidores e/ou consultores. http://ping.fm/EALDu

How to document a lucrative business idea?

Uma questão interessante que vi ser levantada no LinkedIn foi a de saber como traduzir em papel uma ideia de negócio para a poder apresentar a investidores e/ou consultores. Eis a minha contribuição:

I believe in developing the business idea and testing it carefully before actually presenting it to consultants or investors.
There 3 things you need to work on, before the business idea is mature enough to go to the next level:
1 - market and value
2 - startup team
3 - heart

You need to clearly state who you're going to sell to (your market) and what value you are going to offer to those people (this is the reason why people are going to buy from you and not from your competitors). It never is easy to put this in writing. Why? Because your business idea is not mature enough. Discuss it with people you trust, understand the real value you are going to give people and when you can put it in writing... you are ready.

Who will go to war with you? When you pitch your business idea to people, they will be trying to understand and evaluate it, but they will also be looking at the startup team, starting with you. So if you don't have a clear idea of who will the key players be in the new company... think again, because it's too soon to sell the business idea.

Most of all you have to be able to convince people that you 200% commmitted to this business idea and you will give what it takes to make it successful. You will have to show you have the heart to make it work.

This is my view of this.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Six Things Venture Capital Investors Never Want to Hear from Entrepreneurs

Bom artigo sobre capital de risco e empreendedores.
Venture capitalists by their very nature are risk adverse and a very skittish bunch. They do not like to hear things that do not ring true in their minds or underline the credibility of the entrepreneur.

Ideias de negócio

As melhores oportunidades de negócio parecem muitas vezes, à partida, autênticos disparates.
Veja-se este interessante artigo na Forbes.com.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Recentemente colaborei com agrado na revista EXIT, que publicou um número sobre o tema do empreendedorismo social: http://ping.fm/7fq32

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

From Babson Entrepreneur's Lab

"Intrapreneurs," or corporate entrepreneurs, are less common in factor- and efficiency-driven economies, compared with economies driven by innovation... http://sbne.ws/r/2Bie

No more Mr. Nice Entrepreneur

Looking back on 25 years in business, entrepreneur and author Jay Goltz has two words of advice for those just starting out: Toughen up. Whether dealing with employees, vendors or customers, ...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

interior desquecido e ostracizado



Regressado duma viagem de 5 dias a Idanha-a-Nova, parece-me oportuno reunir umas breves ideias sobre a actividade empreendedora em Portugal e a forma como está tão mal distribuída.

O estudo que publiquei em 2003 mostrou uma grande diferença entre Lisboa e Porto e o resto do país, entre o litoral e o interior. Não só existem muito mais empresas nas regiões mais desenvolvidas, como se criam nelas muito mais empresas anualmente, mesmo se calcularmos esses indicadores em termos de empresas por milhar de habitantes ou empresas por milhar de empresas já existentes.

A frieza dos números torna-se mais humanizada, mas também mais gritante, quando se passa algum tempo nestas regiões do interior.

Esta minha viagem permitiu-me perceber algumas das razões que tornam mais difícil criar empresas neste interior (citando Herman José) "desquecido e ostracizado".

Deixo só duas ideias a este respeito:

1) Criar empresas para vender a quem?
A densidade populacional é muito menor e o poder de compra claramente inferior, até por causa da elevada percentagem de habitantes na terceira idade, a viver de reformas ridiculamente baixas.

2) Criar empresas para exportar, ou vender para outras regiões do país, ali? Tão longe de tudo?
Quem pretender exportar não tem verdadeiramente motivos para criar a sua empresa tão longe dos portos, dos terminais TIR, das linhas ferroviárias internacionais, dos aeroportos... de tudo.

E, no entanto, "algo se move" nestas regiões.

Pude comprovar a importância de três vectores para "animar" este interior:

a) as autarquias podem ter um papel fundamental na promoção do empreendedorismo público e no desenvolvimento de infraestruturas para a instalação e funcionamento de novas empresas;

b)a migração para os centros urbanos, sobretudo da população mais jovem, aumenta a desertificação dos campos e das aldeias, mas cria oportunidades de investimento nas cidades, como verificaram os maiores grupos de distribuição (lá estão os centros comerciais e os hipermercados, por exemplo);

c) o ensino superior constitui um terceiro vector fundamental para promover algum desenvolvimento e para fixar populações qualificadas.

É claro que nada disto é suficiente mas, se calhar, é o caminho possível para contrariar este atraso crescente do interior.

Com sorte, conseguirei actualizar ainda este ano o estudo acima referido e poderei verificar se a diferença de actividade empreendedora se manteve ou se reduziu. (o papel da sorte aqui resulta de ser necessária a colaboração de entidades públicas para recolher a informação).

Veremos.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Novo post no blog sobre empreendedorismo e marketing: http://ping.fm/zNBjj

marketing de guerrilha

À partida, a entrada duma startup no mercado significa normalmente uma pequena empresa a querer "roubar" clientes a empresas maiores e já estabelecidas.
O que pode ela fazer?
Recomendam-se tácticas de marketing de guerrilha?
Por exemplo?

terça-feira, 21 de abril de 2009

marketing

É interessante discutir o papel que o marketing pode ter no processo de criação duma nova organização (empresa ou sem fins lucrativos).
É preciso saber muito de marketing para identificar ideias de negócio?
E para "vender o projecto" e angariar os recursos necessários à criação da organização, é preciso ser bom em marketing?
E para lançar a nova organização no mercado? Implantar uma nova marca?

Só é possível ser empreendedor a quem tiver conhecimentos mínimos de marketing (e, nos dias de hoje, de "comunicação digital")?

E os outros? Como fazem tantos empreendedores de sucesso que nunca tiveram formação em marketing?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

oportunidades de negócio

Um dos assuntos que o livro aborda é a dificuldade de identificar e seleccionar ideias de negócio.
Depois também fala do processo de desenvolvimento dos projectos (com base na ideia seleccionada) e na fase de criação da empresa (ou outro tipo de organização) e seu lançamento no mercado.
No entanto, especificamente sobre este tema, podemos falar de modelos para procurar ideias de negócio, ou a sorte é tudo?
Já houve quem tentasse criar "bolsas de ideias", mas sem grande sucesso, no entanto, o que a investigação demonstra é que este processo é fortemente influenciado pelas redes sociais dos empreendedores, isto é, "diz-me com quem falas, dir-te-ei se identificas ideias de negócio e que tipo de ideias".
Como procurar ideias de negócio? Procurar no mercado ou nas novas tecnologias?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

razões do insucesso

Medo de falhar, resistência à mudança, incapacidade colaborar com os outros, demasiado ego, dificuldade em lidar com a burocracia, falta de profissionalização da gestão, falta de gestores entre os fundadores das empresas,...
Tudo isto são razões para o falhanço de muitas startups.

No entanto, na minha opinião, a principal razão vem de mais atrás.

Os projectos dos empreendedores portugueses são muito "saloios"!

Ao longo da vida vi inúmeros projectos desenvolvidos com o objectivo de não requererem muito investimento, cortando nas ambições, deixando para "segundas fases" a internacionalização e até a cobertura de todo o território nacional.
O empreendedor português prefere ser 100% dono duma "xafarica" mínima, do que sócio minoritário duma grande empresa. Por isso, mais de 80% das empresas criadas nos centros de formalidades (IAPMEI) em Portugal, isto é, no maior mercado do mundo - UE - não pretende exportar nem estar presente noutros países.
Projectos saloios!
Tem que haver ambição nos projectos!
o tema está mais desenvolvido no meu mais recente livro!)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Já à venda

Já está nas boas livrarias o meu novo livro "O Processo Empreendedor e a Criação de Empresas de Sucesso".
Também à venda online. Adquira aqui.

terça-feira, 24 de março de 2009

Livro sobre empreendedorismo e marketing


O PROCESSO EMPREENDEDOR E A CRIAÇÃO
DE EMPRESAS DE SUCESSO
Vença a crise, criando o seu próprio negócio


Autor: Fernando Gaspar
Prefácio: Mário Patinha Antão
PVP: 19,80 Euros
N.º de páginas: 292
Formato: 17 x 24 cm
ISBN: 978-972-618-525-3
EAN: 9789726185253

PÚBLICO ALVO: Actuais ou futuros empresários. Leitores que pretendam montar o seu próprio negócio.


Criar uma nova empresa, ou qualquer outro tipo de organização – um clube desportivo, uma associação ou uma actividade nova (negócio novo) – no seio de uma empresa já existente é uma opção que atrai um número cada vez maior de portugueses quer na esfera da sua actividade profissional, quer na esfera da sua actividade de cidadãos que se interessam pelo país e pelo mundo em que vivem, procurando torná-lo melhor, e conseguindo ao mesmo tempo, em termos pessoais, alcançar o êxito.
Umas vezes por opção livre, outras vezes empurradas pelas circunstâncias, esta é uma decisão que, apesar de não se sentirem preparadas para ela, um número cada vez maior de pessoas enfrenta, e que pode determinar o seu futuro, para o bem ou para o mal.
Em tempos de crise e de mudanças aceleradas, de crescimento do desemprego, de cada vez maiores dificuldades na construção de carreiras tranquilas e para toda a vida, apostar no nosso potencial empreendedor e inovador pode ser a única saída para vencer e ultrapassar todos os obstáculos que os actuais tempos difíceis nos colocam.
Este livro, de um modo claro e pedagógico, procura tornar acessível a um vasto público o processo de criação de novas organizações de sucesso, apresentando, de forma original, as actividades que o empreendedor terá de levar a cabo, em três fases simples: (1) descobrir oportunidades, (2) angariar recursos, (3) lançar a empresa no mercado. Depois de apresentar estas fases, o autor explicita-as, fornecendo explicações claras e informações detalhadas sobre cada uma, ilustrando-as com casos reais.
Tendo em conta que ser empreendedor não é um dom inato, e que qualquer pessoa pode aprender a criar empresas, com esta obra o leitor terá tudo o que necessita para desenvolver o seu potencial e concretizar as suas ideias transformando-as em empresas de sucesso.


INFORMAÇÕES ADICIONAIS SOBRE ESTA NOVIDADE:

O autor

FERNANDO GASPAR. Consultor de empresas, formador, conferencista e professor no ensino superior desde os anos 80, leccionou gestão, marketing e empreendedorismo em cursos de licenciatura e mestrado. Lecciona actualmente no Instituto Politécnico de Santarém e na Universidade Lusíada de Lisboa, tendo antes colaborado com a Universidade Nova de Lisboa, com o ISEGI (Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação) e com o ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa). Licenciado em Economia, MBA na Universidade Nova de Lisboa, é pós-graduado em Metodologias de Investigação, Marketing Internacional e Marketing de Serviços por universidades inglesas e francesas. Doutorado em Gestão pela Universidade Lusíada de Lisboa (empreendedorismo, capital de risco e incubação de empresas), está presentemente a obter um pós-doutoramento na universidade de Lyon III, em França.
Publicou artigos e comunicações em revistas e conferências internacionais e é membro fundador do AUDAX (Centro de Investigação e Apoio ao Empreendedorismo e Empresas Familiares – ISCTE) e do CITIS (Centro de Investigação em Turismo, Inovação e Serviços - Universidade Lusíada de Lisboa).
Desenvolveu actividade de formação em marketing e em empreendedorismo para, entre outras organizações, a Associação dos Jovens Agricultores de Portugal e para a Associação Nacional de Engenheiros Técnicos. Foi Presidente da Delegação de Santarém da ANJE (Associação Nacional dos Jovens Empresários). Empresário, criou empresas nos sectores do software, imobiliário e consultadoria, tendo adquirido outras nas indústrias das tintas e dos plásticos. A sua actividade empreendedora também se manifestou na criação de clubes desportivos e associações culturais. Por conta de outrem, trabalhou na banca, no imobiliário e nos transportes aéreos, com responsabilidades pelas áreas financeira e comercial.

Novo livro


Hoje dia 24 de Março, pelas 18h30, terá lugar a sessão de lançamento do livro “O Processo Empreendedor e a Criação de Empresas de Sucesso”, na FNAC do Colombo.

É com prazer que vos convido a marcar presença nesta sessão.

Enquanto autor, gostaria de solicitar toda a colaboração na divulgação do livro (e da sessão de lançamento), nomeadamente, através de publicidade… de-boca-em-boca… :)